"Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.
Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores;
Pois conheço as suas angústias.
Por isso desci a fim de libertá-los da mão dos egípcios,
e para fazê-lo subir desta terra
para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel".

Êxodo 3,7-8

domingo, 13 de novembro de 2016



Data: 13-11-16

Leitura Orante da Palavra – Citação: João 2,1-11




1° passo – LeituraO que o texto diz?

No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava aí. Jesus também tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto com seus discípulos. Faltou vinho e a mãe de Jesus lhe disse: -"Eles não têm mais vinho!".Jesus respondeu:-"Mulher, que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou."A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo:- "Façam o que ele mandar."Havia aí seis potes de pedra de uns cem litros cada um, que serviam para os ritos de purificação dos judeus.Jesus disse aos que serviam:- "Encham de água esses potes."Eles encheram os potes até a boca.Depois Jesus disse:-"Agora tirem e levem ao mestre-sala."Então levaram ao mestre-sala. Este provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam estavam sabendo, pois foram eles que tiraram a água. Então o mestre-sala chamou o noivo e disse:
-"Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora."Foi assim, em Caná da Galileia, que Jesus começou seus sinais. Ele manifestou a sua glória, e seus discípulos acreditaram nele.


2° passo - Meditação O que o texto diz para mim?

Jesus inicia em Caná da Galileia seus “sinais” proféticos. João chama as obras maravilhosas de Jesus de sinais, nunca de milagres.O sinal não recebe seu sentido de si mesmo, mas daquilo que ele assinala. O sinal de Caná não aponta para um fornecimento espetacular de vinho, mas para a missão messiânica de Jesus. O vinho da alegria transforma-se em sangue derramado para a remissão de nossos pecados. É o início dos sinais, não a plenitude. Em João 2.4, Jesus falou que a “sua hora” ainda não tinha chegado. Sua hora será da plenitude, do amor consumado, quando disser: “Está consumado” (Jo 19.30). Portanto a manifestação de sua glória é, nas Bodas de Caná, apenas o inicial. Se, pois, os discípulos creem nele, é também de modo inicial. A fé por causa de um sinal é apenas um primeiro passo. O discipulado mostra-se no seguimento e na fidelidade a Jesus. João aponta para esse caminho, o cumprimento do mandamento do amor (Jo 13.34). Me pergunto: Como estou vivendo o vinho da alegria/fé, que apesar de mim e das circunstâncias à minha volta estou vivendo? Minha alegria esta conforme a proposta de Jesus? Minha alegria é capaz de transformar minha realidade, onde quer que eu me encontre? Minha alegria é capaz de ser p o irmão assim como Jesus o é?

3° passo - Contemplação O que a Palavra me leva a experimentar?

Experimento que, apesar do meio em que vivo, suas divergências e tribulações, eu posso me alegrar em Jesus. Porém, uma alegria comprometedora e consciente . É libertador registrar que o primeiro milagre de Jesus nos faz festejar. Quebra nosso moralismo e nossa falsa sensibilidade social. Jesus penetra em nossos momentos de alegria e nos assegura que diante de Deus e entre nossos semelhantes podemos nos alegrar. Ele próprio se alegra junto conosco. Mais ainda: ele intensifica nossa alegria, transformando o conteúdo de nossa celebração. Sem dúvida, também é importante que notemos: a alegria do presente, por maior que seja, na melhor das hipóteses é parcial e fica bem aquém daquela que nos está reservada na consumação do Reino, que é plena e total. Sim, nossa alegria e nossa celebração podem ser abusadas e desvirtuadas, voltando-se contra nós mesmos e nossos próximos. Podem até ser utilizadas como instrumentos de opressão. Assinalo aqui tantas "alegrias" das quais o próximo é o mais agredido no sentido de opressão, escravidão entre outros. Mas mesmo onde nosso festejar( seja onde e qual "festa" for) é legítima e alegre expressão de nossa necessidade corporal e psíquica, mas ela ainda não é( nossa alegria) não é ainda total, e encontra-se em tensão com a realidade do sofrimento, da dor, da falta de sentido e da injustiça. Vou cantar sorrindo, para não chorar. Muitas vezes em nossa comunidade e em nossas celebrações chegam até a ser tragicômicas, porque são apenas uma pálida e pouco convincente máscara para nossas frustrações. Tristeza não tem fim; felicidade, sim. Contudo, mesmo assim, podemos nos alegrar numa alegria livre e natural. Jesus comparece a nossas festividades como àquele casamento em Cana da Galiléia. Compartilha e dignifica, portanto, toda alegria humana. Não registramos em seu festejar nenhum abuso de si próprio e de seus semelhantes. Mas também nele observa-se uma incrível tensão com a realidade do mal no mundo. Há em nossa história — o primeiro dos sinais de Jesus — uma enormemente tensa relação entre a maravilhosa transformação de água em vinho e a sombria admoestação de Jesus a sua mãe: Minha hora ainda não chegou! Como a hora de Jesus é o seu ser elevado à cruz, revelação de sua glória, concluímos: aquele que aqui festeja é o mesmo que será executado; aquelas pessoas que aqui se deleitam com seu vinho, são as mesmas por quem dará sua vida. Festa e doação de vida estão intimamente entrelaçadas em Jesus. Não é, portanto, nenhuma alegria anestésica, nenhuma manobra diversionista, nenhuma aliança com poderes opressivos, mas apenas a alegria que brota da espontaneidade do amor, disposto também a em solidariedade sofrer. Já esse primeiro dos sinais de Jesus revelou a sua glória; e os discípulos creram nele. Foi um grande milagre, mas é seu conteúdo que interessa, não sua forma. Jesus operou um grande milagre não para provocar a fé mediante a prova de seu poder — Jesus recusa esse tipo de sinais. Foi uma manifestação, não a prova de sua glória. Não foi um espetáculo global. A TV Globo faz muito show, e pouco conteúdo, muita água e pouco vinho. Em Jesus bem ao contrário: muito vinho, e pouco show. A maioria dos convidados pôde festejar e se alegrar, mas nem sequer se deu conta de que estava participando na glória de Jesus. Apenas os discípulos, que já o seguiam, creram em sua glória. Posso traçar um paralelo com relação entre comunidade cristã e coletividade. Todos podem festejar; apenas a comunidade cristã se dá conta de que Jesus é a fonte e o conteúdo de sua festa. Apenas ela se dá conta de que já ocorreu a radical mudança: água em vinho, isto é, o antigo meio legalista de salvação, a água para o rito judaico da purificação, transforma-se no vinho, esse maravilhoso símbolo do tempo messiânico de salvação. Que contraste entre o rígido rito da lei e a descontraída festa da graça! O Reino de Deus irrompeu no meio das angústias e perversidades do mundo. Desde então a comunidade cristã é uma comunhão de celebração, alegre festejo de fé. Não uma alegria plena, total, porque esta ainda vai chegar nos fins do tempo, com Cristo que virá. Hoje, em nossas comunidades, infelizmente...ainda.... essa celebração está muitas vezes encoberta por uma forte racionalidade que dificulta a expressão da ludicidade. Há ainda muitas divergências, poder, vaidade, opressão, desigualdades, injustiças, entre outros, ou seja, a falta do vinho da alegria em Jesus está escassa e frequentemente pouca comunhão. Aceitemos a transformação de todas as águas de nossas precariedades em vinho puro da glória de Jesus. Que a partir de mim eu possa lutar e aceitar essa transformação estendendo à minha vida comunitária, familiar e social por uma sociedade melhor, mais justa e igualitária.


4° passo - Oração O que a Palavra me leva a falar com Deus?


Peço ao Espírito Santo, que ilumine a minha mente, dando-me discernimento para perceber que em meio à tragicidade da vida, eu posso e devo me alegrar comigo e com o outro, onde que que eu esteja porque o vinho puro da Glória de Deus está próximo. Espírito Santo, me ensine que posso e devo me alegrar com consciência, criticidade boa( aquela que não fere, mas constrói e soergue o outro), uma alegria cuidadosa e amorosa, paciente, que saiba esperar o tempo do meu irmão(ã). Espírito Santo, dai-me uma alegria crente em Jesus: Noivo, Salvador, Amoroso, que nos dá o Vinho Novo da alegria, neste Deus que me ensina pela Palavra, a viver e perceber a Festa da Graça já, aqui e agora, na minha vida e na comunidade onde vivo. Obrigada Espírito Santo, pela luz da Palavra Senhor, que ela possa ser em mim frutuosa!Amém.


5° passo - Ação
O que a Palavra me leva a viver?


Quero levar o vinho da alegria/amorcomprometido, onde quer que esteja, ao que se encontra vazio, triste e sem esperança. Partilhar e festejar com meu imão(ã), a Festa da Graça em Jesus Cristo. O Noivo que nos traz o vinho Novo da Graça,da alegria, do Reino que vai chegar!

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