Atividade (4): Releitura da Aliança no Segundo Testamento
Atividade (4): Releitura da Aliança no Segundo Testamento
“Este cálice é a nova aliança, no meu sangue, que é derramado em favor de vós”
Mc 14,22-24
Mt 26,26-28
Lc 22,19-20
1Cor 11,24-25
b) Faça um texto argumentativo, respondendo a seguinte questão:
Porque, no Segundo Testamento, a nova aliança se dá contexto da Última Ceia (Ceia do Senhor / Eucaristia)? Justifique.
Dica: Para ajudar na construção do seu texto, leia os artigos propostos:
1) HUGLES, Tomaz. “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”. In: REVISTA ESTUDOS BÍBLICOS. As Alianças na Bíblia. 90. 2006/2. p. 42-49.
2) CUNHA, Elenira. “Aliança em Paulo e Hebreus”. In: REVISTA ESTUDOS BÍBLICOS. As Alianças na Bíblia. 90. 2006/2. p. 60-67.
Entre o povo de Israel o termo 'Berît' (aliança) significa uma relação de solidariedade em duas partes, com deveres e obrigações para ambas. Ela foi traduzida pela palavra grega: 'diatheke' que significa aliança/testamento/pacto. porém, a menção do termo aliança no Segundo Testamento, não é muito frequente(aparece em torno de 33 vezes apenas), predominantemente nos Escritos Hebreus e Cartas Paulinas. No Mundo Antigo, uma aliança assim tinha algo de caráter sagrado por estar sob a proteção da divindade. Divindade não apenas sobre protetora da aliança, mas também sendo um dos parceiros, como acontecia entre Deus e o povo. Deu é e sempre será fiel mesmo se a outra parte romper com a aliança. Esta noção importante na Teologia de Israel, foi um dos conceitos usados também por Jesus, para clarificar o sentido último de sua missão: vida, morte e ressurreição. Situar a celebração da Nova Aliança no contexto de uma refeição comunitária, traz fortes ecos das celebrações de alianças na Antiguidade e em algumas passagens do Primeiro testamento. Era frequente um dos parceiros misturarem o sangue um do outro, ou mergulhar as mãos numa bacia cheia de sangue, daí surge a expressão " o sangue da aliança" (cf. Ex 24,8; Zc 9,11). Para o Hebreu o sangue era a sede da vida(cf. Lv 17,14; Dt 12,23), os parceiros misturando o seu sangue tornavam-se uma só alma. Não era raro tomar uma refeição comum (cf. Gn 31,46.54;26,28.30; Js 9,14; 2 Sm 3,20). Percebe-se aqui muitos elementos da celebração de uma nova aliança que fariam parte do pano de fundo dos gestos de Jesus com seus discípulos na Última Ceia. Depois de ter tomado e distribuído o pão com as palavras " tomai e comei, isto é o meu corpo", Jesus toma o cálice de vinho o abençoa e passa aos seus discípulos.
Em Marcos esta fórmula é mais breve:" Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos" (Mc 14,24); Mateus acrescenta um elemento:" para a remissão dos pecados" (Mt 26,28); Lucas/Paulo adicionam :" este cálice é a nova aliança no meu sangue" (Lc 22,20; 1Cr 11,25), e somente Lucas encontra-se o acréscimo: "que é derramado por vocês". Desde os primeiros séculos os discípulos(as) de Jesus se reuniam regularmente para celebrar a ceia do Senhor depois de sua morte e ressurreição. Ao longo dos séculos desenvolveram muitas Teologias diferente dos sentidos da celebração da ceia nas diversas igrejas, mas não se pode negar a importância desses relatos para uma compreensão nossa do sentido da Nova Aliança, da vida, morte e ressurreição de Jesus e suas implicações para a vida e missão das comunidades de hoje. Aliança não é letra morta, é dinâmico e envolve duas partes e tem consequências práticas para a vida. Para a comunidade cristã, a aliança não é letra morta, mas uma realidade espiritual, obra do Espírito Santo de Deus, afirmado por São Paulo em II Cor: "Nossa carta sois vós, carta escrita em nossos corações, reconhecida e lida por todos os homens. Evidentemente, sois uma carta de Cristo..." (cf.2 Cor 3,2-6). Portanto, a Nova Aliança celebrada na ceia não é diferente. Jesus lança um convite e um desafio. Quando Ele diz:" faça isso em memória de mim", não é apenas repetição de palavras, porém, quando novamente diz" isto é o meu corpo que é dado por vocês", a palavra grega 'soma' (corpo) não significando simplesmente corpo humano /físico, mas a vida toda, o ser humano total. Na verdade, Jesus convida os seus a viverem essa Nova Aliança, seguindo seu exemplo, não somente celebrando uma ceia refeição/ ritual comum, mas doando as suas vidas, seres ao projeto do reino que é a força motora de toda atividade de Jesus e que lhe custou a vida. Para compreender esta palavra:"fazei isto em memória de mim", a lingua portuguesa é muito pobre e não alcança a grandeza que elas contém. No hebraico,"fazer em memória" significa tornar presente de novo, participação concreta na realidade daquilo que se comemora. Sendo assim a celebração da Nova Aliança exige que, como o Mestre doou toda a sua vida para a humanidade, e simboliza isso na refeição partilhada, assim os seus devem fazer o mesmo. O sangue de Jesus que sela a Nova Aliança, é a sua vida doada, consequência de sua vida vivida em fidelidade ao projeto do Pai e que leva a vida definitiva na Ressurreição. Contudo, participar da ceia eucarística não deve ser mera devoção, individual e intimista, mas uma participação de pessoas que querem " fazer em memória do Senhor" na comunidade. Viver como Jesus viveu e fazer o que ele fez se doando até as últimas consequências, lutando por um mundo melhor sonhado por Deus. Quando na páscoa cantamos: "o cálice por nó abençoado, é a comunhão com o sangue do Senhor", é a comunhão com o sangue do Senhor? o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?( 1 Cor 10,16). Então, a Aliança é uma via de duas mãos, tem como consequência que a comunidade/Igreja se esmere, apesar dos pecados, fraquezas, no projeto de Jesus, que veio para que todos tenham vida vida, e vida em abundância". Participar da ceia sem estar devidamente preparado, é o que diz São Paulo em (1 Cor 11,27)"comer o pão e beber o cálice do Senhor indignamente".
Concluindo, a comunidade da Nova Aliança, se cumpre por obra do espírito santo que faz dos que nele creem, filhos(as) de Deus. Em Jesus, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis em seu amor, nos predestinou para sermos filhos adotivos em Cristo, conforme sua vontade, para seu louvor/honra/glória, com a qual em Jesus nos agraciou ( Ef 1,4-6). Deus nos criou para realizar seus desígnio salvífico. A aliança em e por Jesus é a "razão" e o fim pleno pelo qual Deus nos criou. Esta iniciativa é plena e total de Deus, do seu amor para conosco. Para a comunidade cristã, essa iniciativa culminou na morte, paixão e ressurreição de Cristo, e que continua até hoje na doação do seu corpo e sangue pela Eucaristia(reconhecimento e ação de graças). A morte sacrifical de Cristo levou à plenitude todos os sacrifícios. Ele estabeleceu um vínculo definitivo e renovado entre Deus e os seres humanos. A Eucaristia é a Nova Aliança, doação definitiva, irrevogável em Deus/Cristo, para toda a humanidade. Jesus fez um sacrifício de expiação para todos(Is 53,10). E os homens sem merecê-la ou exigi-la recebe a salvação, o qual faz de Jesus, a "disposição" do seu amor fiel e decisivo para todos. Todo homem, se quiser, com fé, pode angariar sua salvação eterna oferecida por Jesus. Somos capazes de viver e morrer com Cristo por seu amor/doação mediante dom do Espírito. Na Eucaristia, cumpre-se então toda história neotestamentária de forma sublime, das alianças de Deus com seu povo: nasce um povo novo da Eucaristia, a Igreja. São Paulo vê em Abraão e Jesus uma continuidade, a mesma aliança foi cumprida de forma 'Nova', plena e definitiva em Cristo. Aliança: privilégio/dom de Deus a Israel mas, estranha aos pagãos. Na polêmica com os judaizantes diz: "(...) ora,as promessas foram asseguradas a Abrão e à sua descendência, a um só: e a sua descendência, que é Cristo. Em Gl Paulo usa o termo 'diatheke' com duplo sentido: palavra 'testamento' à 'promessa' , conferindo a nós direito de herdar."Uma lei vinda 430 depois, não invalida um testamento anterior, legitimamente feito por Deus, de modo a tornar nula a promessa.Porque se a herança vem pela lei, já não é pela promessa. Ora, é pela promessa que Deus agraciou Abrão. Para Paulo, foi em Jesus que de fato, cumpriu a lei definitiva, ao tornar o ser humano livre por sua morte e ressurreição. Tornando-nos verdadeiramente filhos(as) de Deus. É a existência do ser humano, como a 'destinado' as ser livre, filhos(as)amados do Senhor, que pressupõe esta 'Nova' aliança, não somente aquela de pedre(tábuas da Lei), mas a do Espírito, escrita no coração. Já para os Hebreus há descontinuidade das alianças, antiga e nova, sendo a primeira antiquada e superada a sendo substituída pela segunda. Para os Hebreus, Jesus é o Sumo Sacerdote por excelência, o mediador superior a Moisés. A morte de Cristo não foi sacrifício ritual mas dom de si mesmo, tornando-o perfeito, restabelecendo a comunhão de vida entre Deus e nós. Portanto, nesta doação sincera e total de Jesus Cristo, inicia-se um novo céu e uma nova terra. Em Apocalipse trata-se de nova criação, retomando a fórmula inicial característica da aliança:" vi então..." (Apc 21,1-3). O Cordeiro=Noivo, a Jerusalém=Noiva,mulher, a cidade( refere-se ao contexto do amor conjugal, cujo centro está à nova humanidade: o povo de Deus renovado) cidade santa, formosa e feliz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário