"Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.
Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores;
Pois conheço as suas angústias.
Por isso desci a fim de libertá-los da mão dos egípcios,
e para fazê-lo subir desta terra
para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel".

Êxodo 3,7-8

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ah! Como é bom é sentir a doce paz
E o amor que suave me leva a sorrir.
É você chegou qual ladrão me fitou e
Roubou para si o meu coração.
E agora sem forças eu sou prisioneiro
Do mais belo amor, do Doce Jesus
Do meu bem da cruz.
Jesus.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016



Tema: Teologia do Aliança por meio de um texto bíblico do Primeiro ou Segundo Testamento.
Público alvo: Crianças 7a 8 anos

Duração: Uma hora. Seis semanas..
Local: Catequese.
Objetivos a serem alcançados: segue abaixo...

Recursos Pedagógicos a serem utilizados: Canções, figuras, imagens, Livro da bíblia , Textos bíblicos.
Metodologia a ser aplicada: Participativa e Dinâmica...
Textos bíblicos principais a serem trabalhados (à sua escolha):
E uma proposta de avaliação com os/as participantes( farei oralmente no segundo e último encontro)

História Bíblica: 1ºEncontro: Abraão e a promessa (com base na Leitura Bíblica: Gênesis 12.1-9. Deus faz aliança com Abraão
Objetivo da Lição: • Que a criança compreenda sobre o OBEDECER. • Saber que obedecendo a Deus, receberemos as bênçãos que Deus tem prometido. Versículo para memorizar: “...Abraão, quando chamado, obedeceu...” (Hebreus 11, 8). Penso ser importante ensinar a memorização de versículos para que a criança aprenda e acostume-se a usar a Palavra de Deus em momentos de crise ou aflição. Dê um versículo bem simples ou parte dele, caso contrário elas não conseguirão decorar ou compreender. Ainda assim o versículo deve ser explicado e pode ser repetido durante a catequese. Na lição de hoje não temos palavras difíceis.
 No início, falar brevemente sobre aliança:
Você enxerga Deus como alguém distante?
Ele está bem perto e quer uma aliança com você!!!
Mas, o que é aliança?
Inicialmente é importante explicar isto às crianças: aliança é um acordo, um pacto entre pessoas.
Neste acordo algumas coisas são combinadas e devem ser seguidas.
Deus sempre quis fazer um acordo com os homens(crianças) para ficar bem próximo dela, mas nem sempre o homem obedeceu o Senhor e rompe sua aliança com Deus.  
Mas Deus não desistiu do homem e não desiste de você!

Explique: “ Abraão, que era um homem de Deus quando foi convidado, pelo próprio Deus, para sair de sua terra e ir para um lugar onde ele nem mesmo sabia onde era, obedeceu, ele fez o que Deus mandou.” . O catequista deverá chamar a atenção da criança para o que vai ser ensinado. Isto pode ser feito de duas maneiras: perguntando alguma coisa relativa à lição, em linguagem simples, ou mostrando alguma coisa concreta e original. Sugerimos: • Perguntar: Vocês já foram à praia? (deixar que falem) • Mostrar: A areia que você trouxe e espalhar sobre o papel. Perguntar : Vocês conseguem contar os grãozinhos de areia? e as estrelinhas do céu? Na lição de hoje, vocês vão conhecer Abrão. Deus prometeu que ele teria uma “família” muito grande, como as estrelinhas do céu e os grãozinhos de areia da praia. E vocês podem ser uma dessas estrelinhas. Hora da História: Deus fez um convite especial para um homem, da família de Sem que era filho de Noé. Este homem chamava-se Abrão. Deus lhe disse: " Deixe a sua terra e os seus parentes. Vá para uma terra que eu mesmo vou lhe mostrar. Faça isso e eu farei de você pai de uma grande nação. Você será uma bênção. O mundo inteiro será abençoado por sua causa." Abrão não ficou nem um pouco duvidoso, como diz o versículo que decoramos: “Abrão, quando chamado, obedeceu...” , ele obedeceu a Deus e partiu. Abraão arrumou suas coisas, levou Sarai, sua esposa, Ló, seu sobrinho, seus rebanhos, seus escravos e todas as suas riquezas. Abraão já estava com 75 anos. Vocês já pensaram? Abrão era um homem rico, morava com seus familiares e agora ter que partir para um lugar que não conhecia?! Mas, ele não duvidou, ele obedeceu a Deus e partiu porque ele sabia que Deus cumpriria a sua promessa e que ele seria feliz. Abrão foi caminhando, caminhando e Deus apareceu outra vez para Abrão e lhe disse: "Eu vou dar esta terra para sua família e para todos que fizerem parte dela. Eles vão ser tantos como o pó da terra. Assim como ninguém pode contar os grãozinhos assim será sua família! Naquele lugar, Abrão construiu um altar para agradecer a Deus. Viram? Deus não deixou Abrão sozinho. Abrão estava obedecendo a Deus e Ele o estava guiando e abençoando. Vocês também precisam obedecer a Deus. Se vocês obedecerem a Deus, Ele sempre estará com vocês para guiar, guardar e proteger. Abrão continuou sua caminhada. Ele parava nos lugares, armava seu acampamento, depois continuava caminhando, pois estava obedecendo ao convite de Deus. Deus disse a Abrão que ele seria pai de uma grande nação, que sua descendência, sua família, seria como a areia da praia. Abrão então falou para Deus que ele não tinha filhos. Deus, então, levou Abrão para fora e disse: "Olhe para o céu e conte as estrelas, se puder. Esse será o número da sua família. "Depois de muito tempo, mesmo Abraão e Sara sendo velhinhos eles receberam a promessa de ter um filhinho que deram o nome de Isaque. Isaque foi a primeira estrelinha, o primeiro grãozinho de areia para formar aquele grande povo, o povo de Deus, aquela família que Deus havia prometido para Abraão. Vocês também podem fazer parte do povo de Deus, da família de Abraão, vocês podem ser uma daquelas estrelinhas. Sabem como? Vocês precisam obedecer a Deus, aceitar Jesus como único Deus e poderoso Salvador. Se vocês aceitarem Jesus vocês vão fazer parte do povo de Deus, vocês serão uma das estrelinhas da família de Abraão.




 A seguir, Use esta parte da catequese para recapitular com as crianças tudo o que foi ensinado fazendo uma pergunta de cada vez, esperando e ajudando-os a responder com muita paciência. -Qual foi a ordem que Deus deu para Abrão? - Qual era o nome da esposa de Abrão? -De que tamanho seria a família de Abrão? - Abrão tinha filhos ? - Deus mandou Abrão olhar o céu e fazer o que? - Como se chamou o filho de Abraão e Sara? -Como podemos ser uma estrelinha da família de Abraão? Momento atividade: atividade básica complementá-la com uma colagem. Utilizar: estrelinhas metalizadas vendidas em saquinhos na papelaria e pacotinhos de areia de rio. Pedir que passem cola no céu e grudem as estrelinhas. Pode passar cola no sulfit e colar areia e cada um escreve seu nome. A ajuda da catequista pode e é fundamental. Terminar a aula com uma oração. Pedir que as crianças ajudem a arrumar a sala. Colocar os trabalhinhos no mural com a ajuda das crianças. 

domingo, 13 de novembro de 2016

Neste Fórum vamos fazer uma reflexão sobre as  Cinco Linhas Fundamentais do tema da Aliança:
1- A gratuidade da iniciativa de Deus em fazer a aliança com o ser humano.
2- A fidelidade de Deus à aliança.
3- O perdão de Deus à infidelidade humana.
4- A fórmula característica da aliança: "Eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo".
5- A nova aliança no sangue de Jesus.
De acordo com os 5 itens enumerados, faça uma síntese pessoal sobre o tema da Aliança e depois responda:
-Que sentido tem hoje a Teologia da Aliança na sua vida pessoal, comunitária-eclesial e na vida em sociedade?

O povo da bíblia percebe Deus como seu criador e desde a criação  é Deus quem  toma a iniciativa  de fazer aliança com o ser humano. Deus é fiel a sua Aliança, desde a primeira aliança feita com o ser humano, criando-o á sua imagem e semelhança. deus sempre oferece à sua criatura os meios para retomar o caminho, não abandona seu povo e envia sempre profetas/profetizas para lembrar ao povo sua aliança.. Esse vínculo na esfera humana é feito por amizade/lealdade/solidariedade e na esfera divina o amor/ternura/ expressa a fidelidade da sua aliança. Com o coração novo o homem se dá a conhecer a Deus pela sua atitude de fidelidade à sua aliança. deus perdoa sempre, e este surge em consequência do  rompimento da aliança. da ruptura às cláusulas da aliança e como consequência a negação da relação pessoal com deus. Com frequência, encontramos nos escritos proféticos a recriminação aos rei/povo pela infidelidade à aliança, por causa idolatria. Para os profetas, idolatria está ligada a: prostituição, culto falso, injustiça e exploração. porém, não há pecado ou infidelidade que Deus não possa perdoar. A fórmula proposta da aliança é: " Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo" ou " Estarei no meio de vós, serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo". Estas fórmulas são encontradas nas escrituras  no tempo futuro: "sereis" x presente "sou". Elas podem ter sentido duplo como: deus não a impõe, mas, deixa ao povo sua livre aceitação. Então, no momento em que o povo acolhe as cláusulas da aliança, é que deus torna o seu Deus e Israel o seu povo. A segunda é mai exigente, a iniciativa deve ser acolhida todos os dias como dom e vivida como dom. Jesus selou a Nova Aliança entre Deus e o povo por meio do derramamento do seu sangue. Em Lucas jesus selou a aliança nestes termos" Isto é o meu corpo que é dado por vós..."(Lc 22,14-20). E depois de comer, fez o mesmo com a taça dizendo: " essa taça é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós". Lucas e Paulo(I Cor 11,23-25) se aproximam nas fórmulas. É pela participação no Pão/Vinho que nos tornamos partícipes de sua vida.
A  Teologia da Aliança é de grande atualidade pois nos faz viver já, aqui e agora a proposta de amor gratuita e dom de Deus para toda a humanidade, universo(criação) e comigo mesma. A multiplicidade de alianças feita por deus com os homens de todos os tempos tem um denominador comum: ela é livre, gratuita, dom de Deus e absoluta em salvar o ser humano, estabelecendo com ele um vínculo  e que implica adesão livre. deus quer atuar no seu plano de salvação, manifestando seu intuito de realizar esta aliança com seu povo e o mundo a cada dia. esta é a Nova e eterna Aliança que Jesus veio estabelecer, sendo fiel ao projeto ao Pai com, no e por amor. não há uma ideia única de aliança com ideias abstratas mas, numa relação vivida com o homem ao longo da história.  essa aliança/pacto é pura graça e dom de Deus que se doa a cada um de nós e sempre contará com uma resposta amorosa/livre/pessoal/comunitária de nossa parte.Que seja consciente, responsável, livre, acolhedora, fiel, amorosa. De certa forma, a teologia da Aliança em minha vida é o sinal irrevogável de Deus Amor/Salvador para minha vida pessoal e comunitária. Deus que, apesar de mim, me ama incondicional e deseja ardentemente que eu corresponda a esse amor de forma inteligente, consciente, comprometida com a sua obra. De minha parte eu respondo: Tu és o meu Deus, e eu sua filha meu Senhor.


Data: 13-11-16

Leitura Orante da Palavra – Citação: João 2,1-11




1° passo – LeituraO que o texto diz?

No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava aí. Jesus também tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto com seus discípulos. Faltou vinho e a mãe de Jesus lhe disse: -"Eles não têm mais vinho!".Jesus respondeu:-"Mulher, que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou."A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo:- "Façam o que ele mandar."Havia aí seis potes de pedra de uns cem litros cada um, que serviam para os ritos de purificação dos judeus.Jesus disse aos que serviam:- "Encham de água esses potes."Eles encheram os potes até a boca.Depois Jesus disse:-"Agora tirem e levem ao mestre-sala."Então levaram ao mestre-sala. Este provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam estavam sabendo, pois foram eles que tiraram a água. Então o mestre-sala chamou o noivo e disse:
-"Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você, porém, guardou o vinho bom até agora."Foi assim, em Caná da Galileia, que Jesus começou seus sinais. Ele manifestou a sua glória, e seus discípulos acreditaram nele.


2° passo - Meditação O que o texto diz para mim?

Jesus inicia em Caná da Galileia seus “sinais” proféticos. João chama as obras maravilhosas de Jesus de sinais, nunca de milagres.O sinal não recebe seu sentido de si mesmo, mas daquilo que ele assinala. O sinal de Caná não aponta para um fornecimento espetacular de vinho, mas para a missão messiânica de Jesus. O vinho da alegria transforma-se em sangue derramado para a remissão de nossos pecados. É o início dos sinais, não a plenitude. Em João 2.4, Jesus falou que a “sua hora” ainda não tinha chegado. Sua hora será da plenitude, do amor consumado, quando disser: “Está consumado” (Jo 19.30). Portanto a manifestação de sua glória é, nas Bodas de Caná, apenas o inicial. Se, pois, os discípulos creem nele, é também de modo inicial. A fé por causa de um sinal é apenas um primeiro passo. O discipulado mostra-se no seguimento e na fidelidade a Jesus. João aponta para esse caminho, o cumprimento do mandamento do amor (Jo 13.34). Me pergunto: Como estou vivendo o vinho da alegria/fé, que apesar de mim e das circunstâncias à minha volta estou vivendo? Minha alegria esta conforme a proposta de Jesus? Minha alegria é capaz de transformar minha realidade, onde quer que eu me encontre? Minha alegria é capaz de ser p o irmão assim como Jesus o é?

3° passo - Contemplação O que a Palavra me leva a experimentar?

Experimento que, apesar do meio em que vivo, suas divergências e tribulações, eu posso me alegrar em Jesus. Porém, uma alegria comprometedora e consciente . É libertador registrar que o primeiro milagre de Jesus nos faz festejar. Quebra nosso moralismo e nossa falsa sensibilidade social. Jesus penetra em nossos momentos de alegria e nos assegura que diante de Deus e entre nossos semelhantes podemos nos alegrar. Ele próprio se alegra junto conosco. Mais ainda: ele intensifica nossa alegria, transformando o conteúdo de nossa celebração. Sem dúvida, também é importante que notemos: a alegria do presente, por maior que seja, na melhor das hipóteses é parcial e fica bem aquém daquela que nos está reservada na consumação do Reino, que é plena e total. Sim, nossa alegria e nossa celebração podem ser abusadas e desvirtuadas, voltando-se contra nós mesmos e nossos próximos. Podem até ser utilizadas como instrumentos de opressão. Assinalo aqui tantas "alegrias" das quais o próximo é o mais agredido no sentido de opressão, escravidão entre outros. Mas mesmo onde nosso festejar( seja onde e qual "festa" for) é legítima e alegre expressão de nossa necessidade corporal e psíquica, mas ela ainda não é( nossa alegria) não é ainda total, e encontra-se em tensão com a realidade do sofrimento, da dor, da falta de sentido e da injustiça. Vou cantar sorrindo, para não chorar. Muitas vezes em nossa comunidade e em nossas celebrações chegam até a ser tragicômicas, porque são apenas uma pálida e pouco convincente máscara para nossas frustrações. Tristeza não tem fim; felicidade, sim. Contudo, mesmo assim, podemos nos alegrar numa alegria livre e natural. Jesus comparece a nossas festividades como àquele casamento em Cana da Galiléia. Compartilha e dignifica, portanto, toda alegria humana. Não registramos em seu festejar nenhum abuso de si próprio e de seus semelhantes. Mas também nele observa-se uma incrível tensão com a realidade do mal no mundo. Há em nossa história — o primeiro dos sinais de Jesus — uma enormemente tensa relação entre a maravilhosa transformação de água em vinho e a sombria admoestação de Jesus a sua mãe: Minha hora ainda não chegou! Como a hora de Jesus é o seu ser elevado à cruz, revelação de sua glória, concluímos: aquele que aqui festeja é o mesmo que será executado; aquelas pessoas que aqui se deleitam com seu vinho, são as mesmas por quem dará sua vida. Festa e doação de vida estão intimamente entrelaçadas em Jesus. Não é, portanto, nenhuma alegria anestésica, nenhuma manobra diversionista, nenhuma aliança com poderes opressivos, mas apenas a alegria que brota da espontaneidade do amor, disposto também a em solidariedade sofrer. Já esse primeiro dos sinais de Jesus revelou a sua glória; e os discípulos creram nele. Foi um grande milagre, mas é seu conteúdo que interessa, não sua forma. Jesus operou um grande milagre não para provocar a fé mediante a prova de seu poder — Jesus recusa esse tipo de sinais. Foi uma manifestação, não a prova de sua glória. Não foi um espetáculo global. A TV Globo faz muito show, e pouco conteúdo, muita água e pouco vinho. Em Jesus bem ao contrário: muito vinho, e pouco show. A maioria dos convidados pôde festejar e se alegrar, mas nem sequer se deu conta de que estava participando na glória de Jesus. Apenas os discípulos, que já o seguiam, creram em sua glória. Posso traçar um paralelo com relação entre comunidade cristã e coletividade. Todos podem festejar; apenas a comunidade cristã se dá conta de que Jesus é a fonte e o conteúdo de sua festa. Apenas ela se dá conta de que já ocorreu a radical mudança: água em vinho, isto é, o antigo meio legalista de salvação, a água para o rito judaico da purificação, transforma-se no vinho, esse maravilhoso símbolo do tempo messiânico de salvação. Que contraste entre o rígido rito da lei e a descontraída festa da graça! O Reino de Deus irrompeu no meio das angústias e perversidades do mundo. Desde então a comunidade cristã é uma comunhão de celebração, alegre festejo de fé. Não uma alegria plena, total, porque esta ainda vai chegar nos fins do tempo, com Cristo que virá. Hoje, em nossas comunidades, infelizmente...ainda.... essa celebração está muitas vezes encoberta por uma forte racionalidade que dificulta a expressão da ludicidade. Há ainda muitas divergências, poder, vaidade, opressão, desigualdades, injustiças, entre outros, ou seja, a falta do vinho da alegria em Jesus está escassa e frequentemente pouca comunhão. Aceitemos a transformação de todas as águas de nossas precariedades em vinho puro da glória de Jesus. Que a partir de mim eu possa lutar e aceitar essa transformação estendendo à minha vida comunitária, familiar e social por uma sociedade melhor, mais justa e igualitária.


4° passo - Oração O que a Palavra me leva a falar com Deus?


Peço ao Espírito Santo, que ilumine a minha mente, dando-me discernimento para perceber que em meio à tragicidade da vida, eu posso e devo me alegrar comigo e com o outro, onde que que eu esteja porque o vinho puro da Glória de Deus está próximo. Espírito Santo, me ensine que posso e devo me alegrar com consciência, criticidade boa( aquela que não fere, mas constrói e soergue o outro), uma alegria cuidadosa e amorosa, paciente, que saiba esperar o tempo do meu irmão(ã). Espírito Santo, dai-me uma alegria crente em Jesus: Noivo, Salvador, Amoroso, que nos dá o Vinho Novo da alegria, neste Deus que me ensina pela Palavra, a viver e perceber a Festa da Graça já, aqui e agora, na minha vida e na comunidade onde vivo. Obrigada Espírito Santo, pela luz da Palavra Senhor, que ela possa ser em mim frutuosa!Amém.


5° passo - Ação
O que a Palavra me leva a viver?


Quero levar o vinho da alegria/amorcomprometido, onde quer que esteja, ao que se encontra vazio, triste e sem esperança. Partilhar e festejar com meu imão(ã), a Festa da Graça em Jesus Cristo. O Noivo que nos traz o vinho Novo da Graça,da alegria, do Reino que vai chegar!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Atividade (4): Releitura da Aliança no Segundo Testamento


Atividade (4): Releitura da Aliança no Segundo Testamento
a) Com base neste trecho, e citações bíblicas:
“Este cálice é a nova aliança, no meu sangue, que é derramado em favor de vós”
Mc 14,22-24
Mt 26,26-28
Lc 22,19-20
1Cor 11,24-25

b) Faça um texto argumentativo, respondendo a seguinte questão:
Porque, no Segundo Testamento, a nova aliança se dá contexto da Última Ceia (Ceia do Senhor / Eucaristia)? Justifique.

Dica: Para ajudar na construção do seu texto, leia os artigos propostos:

1) HUGLES, Tomaz. “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”. In: REVISTA ESTUDOS BÍBLICOS. As Alianças na Bíblia. 90. 2006/2. p. 42-49.
2) CUNHA, Elenira. “Aliança em Paulo e Hebreus”. In: REVISTA ESTUDOS BÍBLICOS. As Alianças na Bíblia. 90. 2006/2. p. 60-67.

 Entre o povo de Israel o termo 'Berît' (aliança) significa uma relação de solidariedade em duas partes, com deveres e obrigações para ambas. Ela foi traduzida pela palavra grega: 'diatheke' que significa aliança/testamento/pacto. porém, a menção do termo aliança no Segundo Testamento, não é muito frequente(aparece em torno de 33 vezes apenas), predominantemente nos Escritos Hebreus e Cartas Paulinas. No Mundo Antigo, uma aliança assim tinha algo de caráter sagrado por estar sob a proteção da divindade. Divindade não apenas sobre protetora da aliança, mas também sendo um dos parceiros, como acontecia entre Deus e o povo. Deu é e sempre será fiel mesmo se a outra parte romper com a aliança. Esta noção importante na Teologia de Israel, foi um dos conceitos usados também por Jesus, para  clarificar o sentido último de sua missão: vida, morte e ressurreição.  Situar a celebração da  Nova Aliança no contexto de uma refeição comunitária, traz fortes ecos das celebrações de alianças na Antiguidade e em algumas passagens do Primeiro testamento. Era frequente um dos parceiros misturarem o sangue um do outro, ou mergulhar as mãos numa  bacia  cheia de sangue, daí surge a expressão " o sangue da aliança" (cf. Ex 24,8; Zc 9,11). Para o Hebreu o sangue era a sede da vida(cf. Lv 17,14; Dt 12,23), os parceiros misturando o seu sangue tornavam-se uma só alma. Não era raro tomar uma refeição comum (cf. Gn 31,46.54;26,28.30; Js 9,14; 2 Sm 3,20). Percebe-se aqui muitos elementos  da celebração de uma nova aliança que fariam parte do pano de fundo dos gestos de Jesus com seus discípulos na Última Ceia. Depois de ter tomado e distribuído o pão com as palavras " tomai e comei, isto é o meu corpo", Jesus toma o cálice de vinho o abençoa e passa aos seus discípulos.
Em Marcos esta fórmula é mais breve:" Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos" (Mc 14,24);  Mateus acrescenta um elemento:" para a remissão dos pecados" (Mt 26,28); Lucas/Paulo adicionam :" este cálice é a nova aliança no meu sangue" (Lc 22,20; 1Cr 11,25), e somente Lucas encontra-se o acréscimo: "que é derramado por vocês". Desde os primeiros séculos os discípulos(as) de Jesus se reuniam regularmente para celebrar a ceia do Senhor depois de sua morte e ressurreição. Ao longo dos séculos desenvolveram muitas Teologias diferente dos sentidos da  celebração da ceia nas diversas igrejas, mas não se pode negar a importância desses relatos para uma compreensão nossa do sentido da Nova Aliança, da vida, morte e ressurreição de Jesus e suas implicações para a vida e missão das comunidades de hoje. Aliança não é letra morta, é dinâmico e envolve duas partes e tem consequências práticas para a vida. Para a comunidade cristã, a aliança não é letra morta, mas uma realidade espiritual, obra do Espírito Santo de Deus, afirmado por São Paulo em II Cor: "Nossa carta sois vós, carta escrita em nossos corações, reconhecida e lida por todos os homens. Evidentemente, sois uma carta de Cristo..." (cf.2 Cor 3,2-6). Portanto, a Nova Aliança celebrada na ceia não é diferente. Jesus lança um convite e um desafio. Quando Ele diz:" faça isso em memória de mim", não é apenas repetição de palavras, porém, quando novamente diz" isto é o meu corpo que é dado por vocês", a palavra grega 'soma' (corpo) não significando simplesmente corpo humano /físico, mas a vida toda, o ser humano total. Na verdade, Jesus convida os seus a viverem essa Nova Aliança, seguindo seu exemplo, não somente celebrando uma ceia refeição/ ritual comum, mas doando as suas vidas, seres ao projeto do reino que é a força motora  de toda atividade de Jesus e que lhe custou a vida. Para compreender esta palavra:"fazei isto em memória de mim", a  lingua portuguesa é muito pobre e não alcança a grandeza  que elas contém. No hebraico,"fazer em memória" significa tornar presente de novo, participação concreta na realidade daquilo que se comemora. Sendo assim a celebração da Nova Aliança exige que, como o Mestre doou toda a sua vida para a humanidade, e simboliza isso na refeição partilhada, assim os seus devem fazer o mesmo. O sangue de Jesus que sela a Nova Aliança, é a sua vida doada, consequência de sua vida vivida em fidelidade ao projeto do Pai e que leva a vida definitiva na  Ressurreição. Contudo, participar da ceia eucarística não deve ser mera devoção, individual e intimista, mas uma participação de pessoas que querem " fazer em memória do Senhor" na comunidade. Viver como Jesus viveu e fazer o que ele fez se doando até as últimas consequências, lutando por um mundo melhor sonhado por Deus. Quando na páscoa cantamos: "o cálice por nó abençoado, é a comunhão com o sangue do Senhor", é a comunhão com o sangue do Senhor? o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?( 1 Cor 10,16). Então, a Aliança é uma via de duas mãos, tem como consequência que a comunidade/Igreja se esmere, apesar dos pecados, fraquezas, no projeto de Jesus, que veio para que todos tenham vida vida, e vida em abundância". Participar da ceia sem estar devidamente preparado, é o que diz São Paulo em (1 Cor 11,27)"comer o pão e beber o cálice do Senhor indignamente".
Concluindo, a comunidade da Nova Aliança, se cumpre por obra do espírito santo que faz dos que nele creem, filhos(as) de Deus. Em Jesus, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis em seu amor, nos predestinou para sermos filhos adotivos em Cristo, conforme sua vontade, para seu louvor/honra/glória, com a qual em Jesus nos agraciou ( Ef 1,4-6). Deus nos criou para realizar seus desígnio salvífico. A aliança em e por Jesus é a "razão" e o fim pleno pelo qual Deus nos criou. Esta iniciativa é plena e total de Deus, do seu amor para conosco. Para a comunidade cristã, essa iniciativa culminou na morte, paixão e ressurreição de Cristo, e que continua até hoje na doação do seu corpo e sangue pela Eucaristia(reconhecimento e ação de graças). A morte sacrifical de Cristo levou à plenitude todos os sacrifícios. Ele estabeleceu um vínculo definitivo e renovado entre Deus e os seres humanos. A Eucaristia é a Nova Aliança, doação definitiva,  irrevogável em Deus/Cristo, para toda a humanidade. Jesus fez um sacrifício de expiação para todos(Is 53,10). E os homens sem merecê-la ou exigi-la recebe a salvação, o qual faz de Jesus, a "disposição"  do seu amor fiel e decisivo para todos. Todo homem, se quiser, com fé, pode angariar sua salvação eterna oferecida por Jesus. Somos capazes de viver e morrer com Cristo por seu amor/doação mediante dom  do Espírito. Na Eucaristia, cumpre-se então toda história neotestamentária de forma sublime, das alianças de Deus com seu povo: nasce um povo novo da Eucaristia, a Igreja. São Paulo vê em Abraão e Jesus uma continuidade, a mesma aliança foi cumprida de forma 'Nova', plena e definitiva em Cristo. Aliança: privilégio/dom de Deus a Israel mas, estranha aos pagãos. Na polêmica com os judaizantes diz: "(...) ora,as promessas foram  asseguradas a Abrão e à sua descendência, a um só:  e a sua descendência, que é Cristo. Em Gl Paulo usa o termo 'diatheke' com duplo sentido: palavra 'testamento' à 'promessa' , conferindo a nós direito de herdar."Uma lei vinda 430 depois, não invalida um testamento anterior, legitimamente feito por Deus, de modo a tornar nula a promessa.Porque se a herança vem pela lei, já não é pela promessa. Ora, é pela promessa que Deus agraciou Abrão. Para Paulo, foi em Jesus que de fato, cumpriu a lei definitiva, ao tornar o ser humano livre por sua morte e ressurreição. Tornando-nos verdadeiramente filhos(as) de Deus. É a existência do ser humano, como a 'destinado' as ser livre, filhos(as)amados do Senhor, que pressupõe esta 'Nova' aliança, não somente aquela de pedre(tábuas da Lei), mas a do Espírito, escrita no coração. Já para os Hebreus há descontinuidade das alianças, antiga e nova, sendo a primeira antiquada e superada a sendo  substituída pela segunda. Para os Hebreus, Jesus é o  Sumo Sacerdote por excelência, o mediador superior a Moisés. A morte de Cristo não foi sacrifício  ritual mas dom  de si mesmo, tornando-o perfeito, restabelecendo a comunhão de vida entre Deus e nós. Portanto, nesta doação sincera e total de Jesus Cristo, inicia-se um novo céu e uma nova terra. Em Apocalipse trata-se de nova criação, retomando a fórmula inicial característica da aliança:" vi então..." (Apc 21,1-3). O Cordeiro=Noivo, a Jerusalém=Noiva,mulher, a cidade(  refere-se  ao contexto do amor conjugal, cujo centro está à nova humanidade: o povo de Deus renovado) cidade santa, formosa e feliz.








quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Wiki do Grupo 04


GRUPO 04
 COMPONENTES 
 1-Adriano Ferreira Bueno
 2-Josefa Amério Rolim
 3-Maria do Carmo de Castilho Vicente
 4-Marisete de Almeida P. Barbosa
 5-Simone Ribeiro de Melo
 6-Terezinha Cecchin
 7-Vânia Tilia Miranda

Data: 25 de Outubro de 2016

 I- TEMA:
PESQUISA DOS BLOCOS DO PRIMEIRO TESTAMENTO: Pentateuco, Livros Históricos, Livros Poéticos / Sapienciais e Livros Proféticos
II- COMANDO:
Realizar um panorama de Releitura da Teologia da Aliança, conforme os quatro blocos do Primeiro Testamento (conforme a divisão da Bíblia de Jerusalém). Cite e trabalhe ao menos dois textos bíblicos (ou mais) do Primeiro Testamento conforme o bloco escolhido, respondendo estas três questões:
1) Como a experiência do Aliança é retomada em cada texto bíblico?
2) Que imagens, noções ou visões de Deus, revelam estes textos de releitura do Aliança.
3) Quais são as palavras / ideias chaves que surgem, e o que se conclui destas releituras.


 RELEITURA DA ALIANÇA NO PRIMEIRO TESTAMENTO  

No Primeiro Testamento temos vários escritos que evidenciam a trajetória do povo rumo a terra prometida. No entanto, as muitas narrativas sobre os acontecimentos no deserto ou montanha (como: Ex 19-24) são, sem dúvida, testemunhos importantes sobre a experiência da aliança de Deus com o seu povo. A manifestação solene de Deus se dá em meio a trovões, relâmpagos, tremores e intensa fumaça. Tudo isso precedeu ao pronunciamento de Deus sobre as Dez Palavras (Decálogo). Depois, Deus entregou-lhes o Código da Aliança que contém as leis morais, religiosas e sociais sobre o altar, os escravos, o homicídio, golpes e ferimentos, roubos de animais, delitos que pedem indenizações; a violação de uma virgem; a lei sobre as primícias e os primogênitos, os deveres para com os inimigos, o ano sabático e o sábado, as festas em Israel, entre outras narrativas que apresentam Deus criador, libertador, Deus de promessa e de Aliança, de  fidelidade com seu povo, os quais estão narrados na história da vida dos povos em diversos lugares. Abordaremos então neste estudo os Livros do Pentateuco; os Históricos; os Poéticos / Sapienciais  e  os Proféticos


BLOCO 1: LIVROS  DO PENTATEUCO
Nestes livros encontram-se as histórias e leis que foram escritas durante seis séculos  reformulando, adaptando e atualizando tradições antigas e criando novas. Nas narrativas tanto as histórias como as leis giram em torno de um centro: "O ATO LIBERTADOR DE DEUS NO ÊXODO", que é o ato fundante do povo de Israel. As histórias nele contidas são,  na maioria, histórias que nascem no meio do povo dentro das famílias, de Clãs e de tribos. Elas procuravam transmitir oralmente de geração em geração ensinamentos e fatos.  Essas histórias mais tarde foram reunidas, modificadas e interpretadas para que todo o povo de Israel pudesse se  espelhar nelas a fim de que se despertasse nele a  fé em Javé,  O DEUS LIBERTADOR.
Sendo uma História Sagrada em que se manifesta a presença do Deus da Aliança na vida do seu povo, o Pentateuco desenvolve-se a partir de três fatores principais: a epopeia do Êxodo, a Lei do Sinai e a fé num Deus único.
Pode-se dizer, a título de melhor compreensão, que desde Êxodo 1,1 até Números 10,10 (incluindo todo Levítico) é de se destacar a natureza e os termos do relacionamento (entre Deus e a nação escolhida) selado com a Aliança. Conforme Bernardo Gianluigi Boschi: "A uniformização do dois temas bíblicos do Êxodo e da Aliança poderia parecer evidente à primeira vista, com base no lugar que ocupam no Pentateuco: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, depois do Gênese, tratam quase exclusivamente destes temas, expondo com o Êxodo toda a experiência do povo de Israel conduzido por Moisés do Egito às estepes de Moab além do Jordão, e com a Aliança aquela especificamente “sinaítica”, à qual se referem os capítulos que vão de Ex 19 a Nm 10"  (Problemas E Perspectivas Das Ciências Bíblicas, Ed. Loyola, 1993, p.153).
PENTATEUCO: compreende livros em cinco volumes: Gênesis; Êxodo; Levitico; Números, Deuteronômio
1- GÊNESIS: A origem do universo ( o mundo e a humanidade); EM GÊNESIS TEMOS a Origem do mundo; : A narração da  história das origens da humanidade  do povo de Deus (Gn 1-11 ). 
-A Origem do povo de Deus (  Patriarcas e Matriarcas); No capitulo 12,50 fala da história dos patriarcas  Abraão, Isaac, Jacó e José; cujos os filhos  são ancestrais das doze Tribos de Israel : a José. Um dos filhos é consagrado todo o final do livro de Gênesis ( 37 a 50, exceto 38 e 39); Este livro começa narrando a Origem do Universo,  da criação do mundo e de todos os seres vivos. Uma história primitiva, a história dos antepassados. (Gn 1,11)
- A história do povo no Egito- Moisés
- A história da saída do povo do Egito: Êxodo
- As histórias contadas nos livros Pentateuco  ou Lei (Torá): Gênesis, êxodo, Levitico; Números e  Deuteronômio.
 2- ÊXODO: Os textos do Êxodo tratam da saída do povo do Egito e relatam a sua vivência cotidiana da escravidão neste período.  Este escrito descreve a travessia entre o Egito e o monte Sinai e termina narrando a construção da Tenda ou Tabernáculo, onde Deus habitará.

O livro está assim dividido: -Libertação do Egito; -Caminho pelo deserto do Sinai; -A Aliança do Sinai.
Na Bíblia hebraica, esse livro se chama Nomes, porque começa relatando os nomes dos filhos de Jacó que desceram  para o Egito.
Na Bíblia grega recebeu o titulo de Êxodo, que significa saída. Esse titulo resume o conteúdo do livro: a saída ou libertação dos israelitas do Egito. Porém, o livro não narra apenas a saída do Egito, mas sobretudo, a manifestação de Deus na montanha do Sinai e a Aliança. A libertação é narrada nos 15 primeiros capítulos.
O livro é a continuação do Gênesis e após descrever rapidamente a situação humilhante dos israelitas no Egito, começa a narrar a história do libertador, Moisés.
I- Opressão: Projeto de morte- Surgimento de um povo ( Ex 1,1-7)
A opressão paralisa o povo: que é explorado, tem medo. Pode-se perceber que o povo luta pela vida dentro de um sistema opressor ( Êxodo 1,1-22)
II- Libertação - Projeto de vida. Deus ouve o clamor do povo que é oprimido; Deus responde a este clamor;  e Deus desce em socorro do povo..
III- A Marcha para a liberdade dificuldades e perigos.
 A criação não é mero capricho de Deus, mas um gesto de amor. A semana é apenas um artifício literário para ensinar que tudo o que existe é obra de Deus e quer reforçar o descanso sabático.- O sábado foi feito para o homem  não o homem  para o sábado ( Mc 2, 27).
 3- LEVÍTICO: Nestes escritos estão contidas as leis dos sacerdotes da tribo de Leví. O nome Levítico vem da tradução grega, a Septuaginta  e significa (o Livro dos) Levitas. Os levitas, porém, não são os personagens principais do livro. O título destaca mais a utilidade do livro para os levitas em seu ministério como líderes do culto e mestres da moral. O livro está situado no coração do Pentateuco como se fosse o coração da Lei. Todas as leis nele recolhidas são consideradas como dadas por Deus no monte Sinai durante a celebração da Aliança.
O último versículo de Levítico localiza o livro em seu contexto nas Escrituras. “Estes são os mandamentos obrigações prescritas pela aliança que o Senhor Javé, o Deus da Aliança deu a Moisés - o mediador da Aliança,  no monte Sinai o local da Aliança para Israel o povo da Aliança”.
Assim, não se pode compreender Levítico à parte do propósito de Deus para seu povo da Aliança.
4- NÚMEROS:
É um escrito que fala do recenseamento. O Livro dos Números fala da travessia do deserto, até a entrada na terra prometida. Chama-se assim porque começa com a contagem do Povo de Israel (por causa dos recenseamentos apresentados, sobretudo nos capítulos 1-4 e 26). Descreve os últimos vinte dias passados no monte Sinai, os trinta e oito anos no deserto perto de Cades-Barneia e os seis meses na região de Moab destacando a rebelião do povo e as provações durante a jornada no deserto.
Javé usou as dificuldades no deserto para que o povo se habituasse às batalhas que enfrentariam na conquista da terra prometida e se organizassem em um exército ordenado e poderoso. Além disso, o livro narra a dura experiência de desobedecer às ordens do seu Goel, servindo como material didático às futuras gerações de hebreus.
 5- DEUTERONÔMIO:
É um escrito que trata do  significado  da segunda Lei . A palavra Deuteronômio significa segunda lei, mas a designação greco-latina sintetiza bem o conteúdo deste livro, o qual, mais do que um final do Pentateuco, parece representar sobretudo o começo de uma nova maneira de escrever a História do Povo Eleito.
 O tema central é a exortação ao povo de Israel a ser fiel à Aliança  como condição para possuir a terra. Defende a centralização do culto, dentro do princípio da aliança, da forma como os profetas evidenciaram. Mesmo insistindo na observância das leis, não se deixa de salientar a responsabilidade da consciência individual e o compromisso pessoal, que a fé no Deus único exige.
Nesse livro verifica-se que Deus fala por meio de Moisés para uma nova nação que estava próxima de tomar posse da terra prometida, “[...] Moisés falou aos israelitas tudo o que o Senhor lhe mandara dizer, [...]” (versículo 3).

I-   COMO A EXPERIÊNCIA DA ALIANÇA  É RETOMADA EM CADA TEXTO BÍBLICO?

  EM  GÊNESIS: (Gn 1,1 a 2 ,4b-50). A aliança é um ato gratuito por parte de Deus, que nos ama de forma incondicional. Pode-se dizer que a primeira aliança foi feita conosco pela criação. É a primeira manifestação do amor sem limites de Deus para com os seres humanos e com todo universo.
A experiência acontece a partir da  origem do mundo e de toda humanidade quando Deus cria o homem e a mulher. Neste livro se vê a importância do Homem e da mulher como inicio do projeto de Deus. (Conferir em Gn 1,1 a 4a). Deus cria  os seres humanos Homem/mulher à sua imagem e semelhança ( Gn 1,1). Vejamos que, neste inicio da criação,  o homem e a mulher são o centro de toda criação. Temos também neste texto a origem do povo de Deus - É a promessa de uma descendência- marcada pela história dos Patriarcas ( Gn 12,50), as raízes  do povo que dentro do mundo será o portador da ALIANÇA entre DEUS E A HUMANIDADE.  Assim diz a palavra: “Estabelecerei minha aliança entre eu e tu, e tua raça depois de ti. A ti e a tua raça depois de ti, darei a terra em que habitas, toda a terra de Canaã como possessão perpétua, e serei o vosso Deus” (Cf Gn 17,1-8). Podemos compreender que este texto fala de uma experiência de Aliança. O próprio Deus é testemunha, manifestando-se em Abrão Um desejo de permanecer com ele em aliança, bem como todo os seus descendentes (Gn 17,1-27)
  A CRIAÇÃO  É BOA: Tudo o que ele cria é bom,  (Gn 1 e 2), o mal entrou no mundo através da auto- suficiência do homem ( Gn 3);
  A AUTO - SUFICIÊNCIA (faz o  mal entrar no mundo)-  Esse mal cresce  até afogar o mundo, salvando-se apenas uma família ( a de Noé que foi obediente) ( Gn 4-11)
Deus retoma a aliança feita com seu povo: (Gn 9,11-13) Deus disse  a Noé: “ Estabeleço a minha aliança convosco, tudo o que existe não será mais destruído pelas águas do dilúvio, não haverá mais dilúvio para devastar a terra. Eis o sinal da aliança que instituo entre mim e vós, e todos os seres vivos que estão convosco, para todas as gerações futuras: porei o meu arco nas nuvens e ele se tornará um sinal de aliança entre mim e a terra”
  •  O CAMINHO COMEÇA PELA FÉ:   Em Gênesis 12,1-9, o autor aborda a História de Abraão, homem de fé cuja história está diretamente ligada a história de toda humanidade, pois ali surge então o embrião de um novo povo com a missão de trazer a bênção de Deus para todas as nações da terra. Abraão é chamado e com ele inicia-se uma etapa em que o bem vai superando o mal, até que através do próprio mal Deus realiza o bem, que é a vida ( Gn 12-50)
  • O homem, porém, não foi fiel à aliança e  “Deus viu que a maldade do homem era grande sobre a terra, que era continuamente mau todo o desígnio de seu coração. E o Senhor Deus arrependeu-se de ter criado o homem sobre a terra, e afligiu-se o seu coração” (Gn 6,5-6).
  • A narrativa do dilúvio é uma narrativa de anti-criação, porque leva novamente a terra ao caos inicial (Gn 1,2). É pela livre iniciativa de Deus (Ele novamente repropõe uma aliança) que este livra o mundo da destruição e salva a humanidade, garantindo a ordem do cosmo; Cada vez que aparecer um arco-íris no céu, é para lembrar a aliança que Deus fez com o ser humano, e da promessa de nunca mais destruir o mundo.
  • O PRÓPRIO DEUS VAI CONFIRMANDO A SUA ALIANÇA COM ABRAÃO e também COM A SUA DESCENDÊNCIA: “Estabelecerei minha aliança entre eu e tu, e tua raça depois de ti. A ti e à tua raça depois de ti, darei a terra em que habitas toda a terra de Canaã, como possessão perpétua, e serei o vosso Deus” (Cf. Gn 17,1-8).
Êxodo: ( Êx 20,1-21a)  A Caminhada do povo é longa e nela existem dois senhores (Deus e O mundo )
 Em (Êxodo 19,1-8) se tem a  aliança do povo sem Deus - O compromisso da aliança são as bases de uma nova sociedade-  Deus propõe ao povo livre uma aliança e o povo aceita livremente. A única autoridade sobre o povo quem tem é o próprio Deus. As autoridades humanas devem servir a realeza de Deus, fazendo o povo viver de acordo com a justiça e  direito. Deus pede que sejam cumpridos os mandamentos.
Os dez mandamentos servem para que o povo de Deus seja constituído  sob as Leis do Senhor.
Os 10 mandamentos- A constituição do povo de Deus.  Os três primeiros nos remetem a Deus. Eles são o princípio de nosso pensar e agir, tratam do amor a Deus, a nós mesmos e aos nossos semelhantes; tratam da presença de Deus através do seu Nome; e do descanso como sinal concreto de nossa relação mais íntima com Ele, o Senhor. O descanso preserva a liberdade e aponta para o grande dia do nosso “estar” com Deus face a face. O que está por trás desses mandamentos? Quais as palavras chaves, as ideias mestras? As palavras fortes talvez sejam amor e identidade, porque elas nos remetem a um referencial (Deus, o amor, o semelhante) em nossas vidas. Sem referenciais ficamos perdidos, sem rumo, sem direção, sem destino. Elas nos ajudam nisso, compreende?
A chave (ideia mestra) de leitura do quarto mandamento é a família. Ela é o núcleo, a célula primeira da pessoa (indivíduo) e da sociedade. A garantia de vida estável. É  o símbolo forte da família que orienta, que une, que estabelece relações afetivas e  cordiais são os pais (pai e mãe). Por isso é nosso dever e obrigação amá-los, cuidar deles, zelar, orar/rezar por eles e os ter em grande estima. Por quê? Porque é a origem da família. E qual a situação das famílias hoje? O sistema vem apresentando  ou realizando o amor, respeito e ajudado a família? O que vemos nas TVs e jornais? E você, que valor tem dado a sua família? Quem vive a aliança assume a família do jeito que Deus pensou!
O quinto mandamento se refere à vida. Sua ideia chave é cuidar da vida. Entender o “não matar” como “cuidar da vida”. Cuidar da vida, da existência, cuidar da vida pessoal, familiar, social, do planeta… percebe? Tudo que fala da vida tem a ver com esse mandamento. Não se trata de só “tirar a vida”, bem como  temos que cuidar dela.
Em resumo os mandamentos são setas que nos ajudam a viver o plano de Deus em nossa vida pessoal, familiar e social. Resultado: uma vida feliz, uma sociedade mais justa, pessoas mais maduras, santas, responsáveis. Mas isso não depende de Deus, mas de cada um de nós, como pessoas e como coletividade. 
Hoje dentro do cotidiano em que se vive, não adianta somente se esperar que o outro faça a diferença na sociedade, essa diferença quem tem que fazer são todos, a começar por cada um de nós no cumprimento desta aliança feita bem antes, pelos nossos antepassados.
LevíticoO conteúdo do Levítico pode alinhar-se, então, em seis grandes seções, constituindo as quatro primeiras um “Código sacerdotal”. Teríamos, portanto, a seguinte divisão:
I. Código Sacerdotal (1,1-16,34), com as seguintes seções: 1. Ritual dos Sacrifícios (1,1-7,38): holocausto (1), oblações (2), sacrifício de comunhão (3), sacrifício de expiação (4,1-5,13), sacrifício de reparação (5,14-26), deveres e direitos dos sacerdotes (6-7); 2. Consagração dos sacerdotes e inauguração do culto (8,1-10,20): Ritual da consagração de Aarão e seus filhos (8), primeiros sacrifícios dos novos sacerdotes (9), irregularidades e normas sobre os sacerdotes (10); 3. Código da pureza ritual (11,1-15,33): animais puros e impuros (11), purificação da mulher que dá à luz (12), purificação da lepra (13-14), impureza sexual (15); 4. Dia da grande expiação (16,1-34).
II. Código de Santidade (17,1-26,46): é um conjunto de leis introduzidas pela fórmula “Sede santos porque Eu sou santo”, que inclui leis sobre a imolação de animais e leis do sangue (17), leis em matéria sexual (18), deveres para com o próximo (19), penas pelos pecados sexuais (20), santidade dos sacerdotes (21-22), calendário das festas (23), luzes do santuário e pães da oferenda ou da proposição (24,1-9), Ano Sabático e Jubileu (25), bênçãos e maldições (26). Como se torna evidente, neste grande conjunto de leis cultuais, quase metade do livro é constituída pelo “Código de Santidade” (17-26).
Num sentido real, o livramento do êxodo estava incompleto até Israel começar a cultuar a Deus no Sinai (Ex 3,12), cumprindo assim o alvo de Deus para o êxodo. Israel foi libertado da escravidão egípcia e conduzido a uma nova relação de Aliança com Deus exatamente para que tivesse liberdade de culto. Essa experiência da Aliança também não pode ser compreendida no Levítico à parte do desejo divino de estar com o povo de sua aliança.
Por duas vezes, Deus alertou os israelitas. “És povo de dura cerviz; se por um momento eu subir no meio de ti, te consumirei” (Ex 33,5). Como um Deus santo poderia permanecer com um povo desobediente e rebelde? Êxodo 34-40 e o livro de Levítico respondem a essa pergunta.  Nesse sentido: A forma legal da maior parte de Levítico dá a entender que ele pertence a um texto da aliança. De fato, ele trata das exigências da aliança que regulam os meios pelos quais a nação e os indivíduos israelitas poderiam estabelecer e manter o devido relacionamento com Deus. Nesse sentido, Levítico, como boa parte de Êxodo, é um corpo de estipulações da aliança com o propósito de fechar o abismo entre a santidade de Yahweh e o pecado da humanidade (MALKOMES, Robinson, SAYÃO, Luiz A., YOSHIMOTO, Daniel A. Manual bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2001. p.184).
 Números: A partir de uma narração educativa o povo apreende a enfrentar os desafios de Deus, vencer as tentações e animar-se a caminhar atraído pela esperança do futuro, tudo isso tendo como pano de fundo a experiência da Aliança. Deus conduz o povo, mas o povo tem que caminhar para conquistar a liberdade.
Como quer que seja, toda a narrativa está articulada dentro do binômio da fidelidade e infidelidade à Aliança, evidenciando o movimento quaternário da História da Salvação: o povo peca, Deus castiga, o povo arrepende-se, Deus perdoa. Nos interlúdios do contrastante claro-escuro que as tentações acarretam, surge o difícil papel de Moisés, como mediador das exigências de Deus e advogado das necessidades e angústias do povo; mas, até ele acaba por sofrer um castigo, sendo privado de entrar na Terra Prometida, já com ela à vista. É a lei da pedagogia divina a qual  até os homens de Deus têm de se sujeitar.
Afinal, o Livro dos Números não é factualmente histórico apresenta uma narrativa historicizante de acentuado valor didático-pragmático para que no drama dos seus antepassados através do deserto, o povo eleito, já na Terra Prometida, soubesse enfrentar os desafios e as esperanças do seu futuro, tal como o pagão Balaão, qual profeta inspirado de Israel, o soube prognosticar (cap. 23-24). O livro dos Números é já a realização da Aliança de Deus com o seu povo, por meio do culto.
Deuteronômio: A terra nunca será conquistada uma vez para sempre. Por isso, Israel deverá sempre considerar-se como estando para entrar nela e, uma vez entrando, poderá perdê-la, se não for fiel à Aliança. Também em Deuteronômio vemos o apelo do Senhor à Aliança feita por Ele com o povo de Israel.
Em Dt 10,17-20- Veremos um Deus grande, forte e terrível  que não faz acepção de pessoas nem aceita suborno. É um Deus justo e fiel. A geração dos que foram libertos deve transmitir a memória aos seus filhos. Aqui ele faz um alerta a educação familiar, a catequese, diz fala da verdadeira educação, como se deve transmitir aos filhos as leis e ensiná-los a cumpri-la." ...17 Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; 18Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa. 19Por isso amareis o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito. 20Ao SENHOR teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te chegarás, e pelo seu nome jurarás. 21Ele é o teu louvor e o teu Deus, que te fez estas grandes e terríveis coisas que os teus olhos têm visto."
Quando este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de Moab, ao leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade anterior, Israel havia falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina. Agora, 38 anos depois, Moisés reúne o povo escolhido e procura infundir-lhe a  fé que capacitará a avançar em obediência.  Diante deles está a herança. Os perigos, visíveis e invisíveis, jazem além. Acompanha-os Deus, a quem chegaram a conhecer melhor durante suas experiências na península do Sinai e no Monte Horeb.  Moisés compreende, corretamente, que os maiores perigos que os assediam estão na esfera da vida espiritual; sendo assim, sua mensagem acentua o aspecto espiritual.

II- AS IMAGENS, NOÇÕES OU VISÕES DE DEUS, REVELADAS NESTES TEXTOS DE RELEITURA DA ALIANÇA?

EM GÊNESIS- A IMAGEM DO DEUS  CRIADOR,  que não abandona os seus eleitos; UM DEUS AMOR que garante a vida (Gn 8,8). Deus cria um berço maravilhoso para acolher  todo ser vivente. Ele se preocupa com tudo o que criou, de modo especial com o ser humano.
Deus fez uma aliança com Noé: "... mas com você eu vou estabelecer a minha aliança, e você entrará na arca com sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos..." (Gn 6,18)
Temos este outro  texto que também fala da Aliança que  Deus fez com Noé "....quanto a vocês sejam fecundos e se multipliquem, povoem e dominem a terra... Deus disse a Noé e a seus filhos: 9 Eu estabeleço a minha aliança com vocês e com seus descendentes, 10 com todos os animais que os acompanham..." (Gn 9,7-17). Vejamos que , Noé é fonte de Bênção para a humanidade, vem amenizar a maldição no solo, garantir e possibilitar a vida ( Gn5,28-29).
EM ÊXODO: A IMAGEM DO DEUS LIBERTADOR - O SÁBADO- Jesus veio trazer a libertação e a vida em plenitude, não aboliu as leis, porém veio trazer o verdadeiro espírito dessas leis. ( Mc 2,27). O cumprimento da Aliança perpassa o  cumprimento das leis; Deus continua a providenciar a  realização da promessa: Passo importante é o casamento de Isaac, do qual nascerão as futuras descendências.(   Êx 24, 1-67), A esposa ideal é aquela a qual suas ações são generosas. Podemos dizer que este livro  do êxodo é ponto central do AT, é o Evangelho do AT. Como os Evangelhos este livro contém a Boa Nova da libertação. A experiência fundamental do povo de Israel é a experiência do Deus Libertador.
EM LEVÍTICO - A IMAGEM DO DEUS QUE SE DOA GRATUITAMENTE E ESPERA UMA RESPOSTA DO SEU POVO. Representa a resposta cultual do povo de Israel ao Deus da aliança que vem ao seu povo gratuitamente e graciosamente. O autor, ao situar todo este enorme conjunto de leis cultuais num único local e antes da partida do Sinai, com a qual começa o livro dos Números, pretende atingir vários objetivos: primeiro, dizer que todas as leis devem ter o seu fundamento na aliança do Sinai,graciosamente oferecida por Deus ao seu povo, e segundo que que o culto deve ser uma resposta a essa aliança; depois, atribuir toda esta legislação à mediação de Moisés, que foi o primeiro organizador do povo de Deus.Os ritos descritos neste livro são a forma humana cultual possível, nesse tempo, do povo a Deus. Sua lei era uma Aliança; era lei contratual que envolvia duas partes distintas. A lei garantia proteção divina em caso de obediência e os deixava sem a proteção de Deus, quando estivessem em desobediência ao Senhor. O trágico acontecimento do Exílio diz bem da importância que o culto tinha para este povo. Sem as seguranças que lhe vinham do rei, a Israel restava a Lei (proclamada agora talvez nas primeiras sinagogas) e o sacerdócio que mantinha o culto do templo, onde o povo se reunia para as grandes festas, que faziam reviver a sua consciência de povo de Deus.
EM NÚMEROS - A IMAGEM DE DEUS QUE CAMINHA COM SEU POVO, como acontece em Levítico, a expressão “O Senhor falou a Moisés”, aparece em todos os capítulos do livro dos Números. No Livro de Números, também conhecido na Tradição hebraica, como “No Deserto”, há a provação e purificação do povo da aliança na peregrinação pelo deserto do Sinai.  O livro apresenta o Israel do deserto como Israel ideal. Mas nem por isso deixa de narrar as revoltas sob as mais variadas formas: murmurações, desânimo, rejeição da mediação de Moisés, descrença, etc.  Na teologia do autor, o deserto é o lugar em que Deus habita e caminha com seu povo, mas é também o lugar do pecado, da ingratidão, da revolta contra Deus.
­­­­­­­­­­ Pode-se dizer que  no livro dos Números, num primeiro momento constata-se a revelação da fidelidade e misericórdia de Javé ante a rebeldia dos israelitas, além de revelar mais da sua natureza e caráter.  Entretanto, Javé foi o provedor fiel dos israelitas ao guiá-los pelo deserto como a coluna de nuvem e fogo, ao supri-los materialmente e protegê-los (10,11 – 14,45; caps. 16 e 17; 20 a 25; 27,12-23; 31,1-33,49).  Assim, na preservação dos registros da fase inicial da aliança entre os hebreus e Javé, o livro também destaca os seguintes pontos: A santidade de Javé; Os pecados do homem; A necessidade da obediência a Javé; As consequências da desobediência; A fidelidade à aliança estabelecida no Sinai; A presença de Javé entre o povo da aliança; e a Soberania de Javé entre as nações.
DEUTERONÔMIO-  DEUS ESTÁ PRESENTE EM TUDO, SÓ ELE LIBERTA E É O ÚNICO SENHOR. O Senhor Deus  libertou da escravidão, deu-lhes a lei. Selou uma Aliança com eles. São o seu povo. O Senhor exige devoção e adoração exclusivas. Seus caminhos são conhecidos do povo. Deus instruiu Moisés para que colocasse as tábuas dos Dez Mandamentos dentro da Arca da Aliança. Nenhuma outra Lei foi honrada como esta, isto é, nenhum outro código de leis fora colocado dentro da Arca. (Deuteronômio 10, 2 e 5).
A IMAGEM DE DEUS QUE SE REVELA ( Dt 26, 16-19)- A verdadeira religião consiste em viver em aliança como o Deus do êxodo. A aliança é uma relação de compromisso mútuo, Javé se compromete em ser o Deus do povo, aquele que dá a vida,  se o povo por em prática sua vontade, porém o centro da aliança consiste em realizar a vontade de Deus, empenhando-se pela libertação e vida de todos, só assim o povo de Deus passará a ser reconhecido na história como o povo sábio e em comunhão com Deus.
 O autor ensina também que a graça recebida de Deus não deve ser em vão, ou seja, deve fortalecer ainda mais a Aliança com o Seu povo. “[...] É a aliança que o Senhor teu Deus faz hoje contigo, para estabelecer-te hoje como seu povo e ele ser o teu Deus, segundo sua promessa, que jurou a teus pais, a Abraão, Isaac e Jacó” (11-12).  Nesse sentido, uma imagem forte é a de se apresentar a Deus os primeiros frutos que significa reconhecer que tudo é de Deus e que em tudo Ele está presente. Esses sinais reveladores de Deus devem fortificar a fé de Israel para que não caiam em tentações, “As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas são para nós e nossos filhos para sempre, a fim de praticarmos todas as palavras desta Lei” (28).

III-  AS PALAVRAS / IDEIAS CHAVES QUE SURGEM  E O QUE SE CONCLUI DESTAS RELEITURAS?

Gênesis: Surgem palavras relacionadas à origem: A Criação/ vida, Deus, Amo/ Aliança, Javé/ Povo, opressão/libertação, Promessa/fidelidade, generosidade/ esposa; cumprimento/leis.
Êxodo: Surgem as palavras marcantes como:  Faraó/ escravos/ Moisés/ solidariedade/ José/ caminhada/ libertação/ Deus Único/ igualdade., o homem/ o centro, Pecado/ mal.
Levítico: O Livro do Levítico surgem: Leis/ culto/rituais dos sacrifícios/ obrigações/ sacerdote/ levitas,  fidelidade/ Aliança.voto/ projeto/ vida/ dizimo.
  • Considerando que o culto do povo aliança não pode limitar-se apenas aos ritos litúrgicos há neste livro a inserção de um “Código de Santidade”. 
  • A MENSAGEM DE LEVÍTICO contida em (Lv 27,1-34)
  • Entretanto Lasor afirma: ”É uma função desta narrativa  cumprir parte da promessa feita aos patriarcas. Deus entraria num relacionamento especial com eles."(LASOR 2003. 88).
Números: O livro de Números apresenta uma espécie de treinamento divino para que um povo, formado por ex-escravos, se tornasse a nação de sacerdotes estipulada na aliança (Ex. 19).  Os últimos acontecimentos no monte Sinai antes da partida são o recenseamento dos homens aptos para a guerra; a disposição das várias tribos no acampamento; uma série de prescrições sobre os levitas e outras leis; a celebração da páscoa; a apresentação da nuvem que cobre o tabernáculo.  Logo depois, começa a marcha pelo deserto sob a direção do sogro de Moisés, que conhecia bem a região, pois era morador do Sinai.
 O livro apresenta as murmurações e lamentações do povo pelas dificuldades da viagem. Depois apresenta uma série de prescrições sobre as ofertas de alimento em alguns sacrifícios e sobre a violação do Sábado. O livro pode ser dividido em três partes, tendo como base os três principais lugares onde os israelitas acamparam: o monte Sinai (aproximadamente 20 dias), Cades Barnéa (38 anos) e as planícies de Moab (mais ou menos 6 meses): Nm 1-10,10 – no monte Sinai; Nm 10, 11-21 – no deserto entre o monte Sinai e a região de Moab; e Nm 22-36 – nas planícies de Moab.
  • IDEIAS CHAVES: O ser humano é chamado a ser relacionar com Deus, com as pessoas e com  natureza;
  • Bênçãos e maldição: vida ou morte_ Deus quer vida e não sacrifícios. Os homens escolhem o próprio destino ( Lv 26,1-46)
  • Números: As palavras: dificuldades/ viagem/celebração/ páscoa/ acontecimentos/ hoje,/monte Sinai/ Sábado/murmurações, lamentações/prescrições;
  • O Deuteronômio: Riqueza doutrinal/verdadeira fraternidade. Este livro objetiva inculcar a fidelidade de Israel a Deus, que é chamado Pai (1,31), e a estabelecer entre os membros do povo escolhido uma verdadeira fraternidade. 
5- Em DEUTERONÔMIO: Em Deuteronômio há a renovação da aliança e segunda entrega da Lei, como preparativo para a entrada na terra prometida pela segunda geração do povo de Deus
O PRIMEIRO DISCURSO: REVELA O PASSADO EM VISTA DO FUTURO
O Livro do Deuteronômio contém três discursos de Moisés, à beira da Terra Prometida: a Aliança de Deus é para nós, “hoje”, portanto é preciso aderir a Deus interiormente, com o “coração”.  Finalizando o primeiro discurso de Moisés no livro do Deuteronômio, o autor sagrado relembra a aliança feita no monte Horeb. Esta primeira aliança é formada por estatutos e normas que vão compor a Lei que vai dominar toda a religião de Israel conforme o versículo 5: “Vede: ensinei-vos leis e ordenações, conforme o Senhor, meu Deus, me ordenou, a fim de as praticardes na terra que ides possuir”.
O SEGUNDO DISCURSO: O FUNDAMENTO DA ALIANÇA
Em seu Segundo Discurso (4,44-28,68): Moisés apresenta os fundamentos da Aliança e as determinações da Lei.  Ao proclamar as leis, Moisés convoca o povo de Israel e lembra que a Aliança foi concluída com eles que estão vivos e não com seus pais. (Ex 5,1-2)- “1 Moisés convocou todo o Israel... disse: ouça, Israel os estatutos normas que hoje eu proclamo aos seus ouvidos, para que s aprendam e cuidem de praticar, 2 Javé nosso deus fez uma aliança conosco no Horeb. 3 Javé não fez essa aliança com nossos antepassados mas, conosco que hoje  aqui estamos, todos vivos.”
 E continua dizendo que Deus se autorevelou dizendo: “Eu sou o Senhor teu Deus” lembrando da grande libertação, retirando da escravidão e do Egito.  Esta é a pedagogia de Deus para com Israel, Ele liberta, se faz conhecer a Si mesmo, mostrando a sua identidade pessoal, fixando um relacionamento com Seu povo para posteriormente construir uma relação de “amizade” com o decálogo.
No terceiro discurso de Moisés há um relato de uma aliança em Moab, exclusiva do Deuteronômio.  Interessante observar as orientações que Moisés faz para o povo quando estiver no exílio e a conclusão do discurso, quando faz referência aos dois caminhos e orienta o melhor (versículo 19): “Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade [...]”.
Israel só será feliz e próspera se for fiel a aliança com Deus, caso contrário só terá desgraça e acabará perdendo a terra prometida.
CONCLUI-SE COM ESTAS LEITURAS que os livros do Pentateuco são leis que pertencem a várias épocas, são diretivas para o povo nas diversas épocas da sua história. Todas elas buscam nas circunstâncias diferentes conduzir a uma prática que reflita o ideal proposta pelas normas básicas do projeto de Deus: A libertação de todo povo de Deus e a formação de uma sociedade com libertação  e vida para todos, são leis que expressam um momento determinados da vida que são vividas pelo povo com todos os seus conflitos, portanto essas leis não são intocáveis, elas servem para que aprendamos um modelo ou exemplo de  discernimento nas situações cotidianas conforme o projeto de Deus.
As  narrativas convidam o povo a refletir sobre a realidade que o cerca, como o universo que foi criado por Deus com tamanha perfeição, harmonia e beleza. Tudo era tão maravilhoso, que até o  próprio Deus ficara encantado com a sua obra e “viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). Tudo o que Deus fez bom, criou tudo e todos para viver em harmonia recíproca, Devemos cuidar da criação com amor, da mesma forma com que Deus a fez. No evangelho de Mateus  Jesus fala da regra do ouro.  vejamos: "tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas"( Mateus 7,12).
 Aliança e eleição não se separam, andam juntas. Embora a eleição venha em primeiro lugar, ela não existe independente da aliança. Primeiro Deus elege Israel para depois fazer com ele um pacto sagrado de compromisso mútuo. Apesar da visão profundamente religiosa e das preocupações teológicas mais voltadas para os problemas institucionais e nacionais, não deixam de reclamar que o amor fraterno e a justiça social, apresentando, são leis verdadeiramente humanitárias.

BLOCO 2- LIVROS HISTÓRICOS

 A sequência dos livros da Bíblia tem vários traços de uma longa parábola histórica e o interesse pela História já estava bastante presente nos livros do Pentateuco. Mas é costume chamar Livros Históricos a um conjunto que vem depois do Pentateuco. Na verdade, só se consegue fazer uma História de Israel em sentido atual a partir da instalação do povo em Canaã.

I-   COMO A EXPERIÊNCIA DO ALIANÇA  RETOMADA EM CADA TEXTO BÍBLICO?

JOSUÉ, JUÍZES SAMUEL E REIS: São livros que formam um conjunto coerente que relata a história do povo desde a conquista da terra no (séc. XIII) até o Exílio da Babilônia (586 a 588 Ac). Tais livros mostram que a história de Israel depende da atitude  que o povo toma na Aliança com Deus
1- JOSUÉ: - Em seu livro  pretende mostrar que Javé é fiel à sua palavra: se prometeu, cumpre (Gn 12,1-3; 13,14-17; 15,7-21; 17,1-8). Como prometeu dar uma terra ao povo, tudo fará para os opositores de Israel serem derrotados e as suas terras entregues ao “povo de Javé”.
2- OS JUÍZES: Os Juízes são chefes constituídos oficialmente, homens e mulheres carismá­ti­­cos, atentos ao Espírito do Senhor;  pessoas marcadas por uma forte perso­na­lidade, capazes de se imporem moralmente perante as outras tribos. Deste modo, quando alguma tribo era atacada, o Juiz congregava as outras para ir em socorro da tribo irmã. Outra função que lhes poderia ser atri­buí­da era a de julgar em casos especiais, função que terá estado na ori­gem do nome de “Juízes”.
 O tempo dos Juízes é, pois, o tempo da consolidação das tribos no seu ter­ri­tório, perante os inimigos estrangeiros, e o tempo das primeiras tenta­tivas de federação entre as várias tribos com diferentes origens (ver Jz 24).
3-  1ª e 2 SAMUEL se estruturam em quatro grandes etapas: conquista da terra (Josué), confederação tribal (Juízes), instituição da monarquia (Sa­muel), desenvolvimento e final dramático da monarquia (Reis).
4 - CRÔNICAS:  O lugar central da dinastia davídica na História de Israel é a ideia mais importante do Cronista (2).  A relevância dada ao culto e ao templo é complementar daquela ideia teoló­gica. Por isso, o Cronista dá maior atenção aos reis que se preocuparam com o culto do templo ou o reformaram: além de David e Salomão, os reis Asa (2 Cr 14-16), Josafa (2 Cr 17-20) e, sobretudo, Ezequias (2 Cr 29-32) e Josias (2 Cr 34-35). Esta mesma atenção é dada pelos livros de Esdras e Neemias aos ministros do culto: Aarão e os sacer­dotes e levitas (1 Cr 9; 15-16; 23-26; 2 Cr 29-31; 35; Ne 12); mas só o Cronista atribui aos levitas o título e a função de profetas (1 Cr 25,1-8).
O sinal de que a fidelidade a Deus, manifestada no cumprimento da Lei e no ritual do culto de Jerusalém, constitui o propósito fundamental desta obra.
 5- EM ESDRAS E NEEMIAS não se pode negar ou diminuir o valor histórico das infor­mações veiculadas por estes livros. Concordam perfeitamente com os dados das fontes bíblicas e profanas, como, por exemplo, os papiros das ilhas Ele­fantinas (Egipto).
 ES­DRAS E NEEMIAS:  narram aconteci­men­tos ocorridos logo após o edito de Ciro (538 a.C.), que permitia o re­gresso do cativeiro da Babilônia. Mos­tra a situação difícil dos re­patriados, fazem sobressair o es­forço pela restauração do povo, no aspecto mate­r­­ial e reli­gioso.
 Contém uma admirável mensa­gem doutrinal  centrada em três preo­­cupa­ções fundamentais: o templo, a cidade de Jerusalém e a comuni­dade do povo de Deus.
Meditando na Lei, compreende como o castigo lhe foi man­dado por Deus, devido à sua infidelidade, e co­mo, apesar de tudo, a miseri­cór­dia divina se mantém para com o resto de Israel, detentor das grandes pro­messas em relação ao Messias. A Palavra de Deus é, assim a base da reconstrução do povo que volta do Exílio.
 Depois do Exílio, enquanto uma parte do povo judeu se reuniu à volta de Jerusalém, um grande número perma­neceu na Babilônia e nos outros territórios em redor de Israel: no Egito, na Assí­ria e nos territórios que atualmente constituem a zona norte do Irã.  O livro de Tobias nasce dentro deste ambiente.
O texto avança em dois ní­veis paralelos e con­cên­tri­cos de desenvolvi­men­to: por um lado, o nível da fidelidade e piedade de Tobias e dos seus fami­lia­res; por outro, a infidelidade do povo e a impiedade dos governan­tes.
6- RUTE: O Livro de Ruth é uma história bíblica em que Deus se faz presente, não através de acontecimentos extraordinários, mas no cumprimento das nor­mas sociais mais comuns. Este Deus discreto, quase silencioso, não é, porém, menos atuante e surpreendente na manifestação da sua fidelidade.
 7- O LIVRO DE TO­­­BIAS,  respira um am­biente de fé incon­dicional em Deus. Para além das tribula­ções e dificulda­des sofri­das, os persona­gens centrais vivem com a cer­te­za inabalável da pre­sen­ça de Deus, como condu­tor da História e da re­com­­pensa que haverão de ter pela sua fidelidade.
  8- O LIVRO DE JUDITE merece  atenção, pois proclama a providência de Deus para com o seu povo, a onipotência, realeza e sabe­doria universal de Deus, a ideia da dor e do sofrimento como prova da centralidade, reverência e valor do templo, o valor do jejum, da oração e dos atos de penitência.
O nome da heroína, Judite, que lhe serve de título, simboliza “a judia”, ex­pressão frágil e desamparada do próprio Israel, sob a ameaça dos inimigos.  Este livro manifesta, sobretudo, o amor de Deus pelos pequenos, servindo-se de todos os meios para defendê-los.
9- ESTER: Descreve um drama  da experiência de todo o povo, que se vê ameaçado de destruição e consegue, no fim, cantar vitória. A narrativa apresenta-se como des­cri­ção histórica, pois em 9,32 e 10,2 existem alusões explícitas ao fato de ter sido escrito aquilo que acontecera com Ester e com Mardoqueu.
 Em Ester condensam-se experiências de rejeição e de ameaça, cujos resultados se transformam em memória exultante de razão e de esperança.
 10-  MACABEUS 1 e 2: Relatam,  a resistência  histórica de um grupo de Judeus, dainte da dominação estrangeira que ameaça destruir a identidade cultural  e religiosa da comunidade Judaica.
 O1.° e 2.° Livro dos Macabeus espelham, por meio de uma historiografia da época helenista em que o judaísmo da diáspora se encontra e a luta dos judeus para conseguirem libertar-se da política opressora dos Selêucidas. Para responder a essa situação con­creta e precaver da traição à fé, o autor vai buscar este período histórico e os modelos de fé nele contidos. O Livro salienta a missão que Deus, Senhor da História, confia a Judas Macabeu de libertar o povo de um poder político ou de uma cultura que não respeita a fé de Israel. Tocado pela dura experiência do tempo do domínio selêucida, com An­tíoco IV Epifânio à cabeça, volta-se para a raiz da fé, que é a aliança do Sinai, e diz ao povo: «Deus está sempre atento e vai fazer surgir homens cora­josos e determinados, para resistirmos à imposição dos valores culturais que ameaçam as atitudes de vida exigidas pela aliança». Por isso, mais que descrever objetivamente o que fizeram esses homens, o autor preocupa-se em mostrar como, por atitudes idênticas às deles, o povo fiel pode continuar a viver a sua fé no Deus único e a manter a sua identidade nacional.

II- AS IMAGENS, NOÇÕES OU VISÕES DE DEUS, REVELADAS NESTES TEXTOS DE RELEITURA DA ALIANÇA?

JOSUÉ: Mostra o cumprimento da promessa  O DEUS FIEL que cumpre sua promessa , a TERRA  É DOM DE DEUS- Há o aumento da importância do fator Terra’ na trama da aliança: Javé faz um pacto com um povo nômade, a quem promete entregar uma terra que vai ser o cenário dos fatos da aliança. Sem a terra, o povo carece de raízes para subsistência. Foi assim que todo o israelita aprendeu a considerar a ‘Terra Prometida’ como um dom do Senhor.
- 1° e 2° SAMUEL : Trata-se de uma “releitura histórica” destes acontecimentos. Os elementos redacionais, ainda que mais perceptíveis em Juízes e Reis, não estão ausentes nos livros de Samuel (1 Sm 2,22-36; 4,18; 7; 8; 10,17-27; 2 Sm 2,10-11; 5,4-5; 7). Dentro deste projeto teológico, os livros de Samuel sublinham três aspectos: a ori­gem, a natureza e as exigências da monarquia em Israel, a importância do profeta, como intérprete e mediador de Deus, e a centralidade política e religiosa de Jerusalém.
OS LIVROS DESAMUEL (2)- mergulham no período mais nebuloso do tempo dos Juízes, e vai terminar numa época mais teste­mu­nhada documentalmente. Cobre a passagem do tempo dos juízes à monar­quia, sendo talvez este o momento mais inseguro nas suas informações.  Sobressaem informações pontuais de grande valor, não só histórico, mas também cultural (1 Sm 13,19-22) e topográfico (1 Sm 13; 17; 31). Tudo isto faz desta obra uma das fontes mais fidedignas da História de Israel.
 RUTH - A IMAGEM DO DEUS AMOROSO/ NÃO DISCRIMINA: Na histó­ria de Rute pode ver-se como o Deus de Israel, que per­mitiu a uma moabita entrar na genealogia de David (e por isso mesmo, na do próprio Jesus Cristo: Mt 1,5-17), não podia ser tão rigo­roso que excluísse as estrangeiras do seu povo.
5-   O  LIVROS DOS REIS(2) é uma espécie de exame de consciência sobre o compor­tamento dos reis de Israel e de Judá, pois nele se espelhava o destino de todo o povo. Procurava-se uma expli­cação das des­graças que, nos últimos tempos, se tinham abatido sobre o povo de Israel e a sua imagem de identidade – a monarquia, o templo e a capital. A maior parte dos seus reis fez «o que era mal aos olhos do SENHOR».
  Na lingua­gem  deutoronomista, parece referir-se sobretudo à tole­rância e aceitação dos cultos prestados a deuses estrangeiros (1 Rs 11,1-10.33; 14,22-24); mas tam­bém caracteriza os atos de culto a Javé, reali­zados em santuários fora de Jeru­salém (1 Rs 12,26-33). Aqui estes livros assumem a realeza como uma grande ins­tituição da religião de Israel, apesar do dramatismo com que apres­en­tam as infidelidades da maior parte dos reis. Ao assumirem a realeza como instituição que interfere profundamente no do­mí­nio religioso, oferecem a referência histórica essencial para a ideia do messia­nismo.

III- AS PALAVRAS / IDEIAS CHAVES QUE SURGEM, E O QUE SE CONCLUI DESTAS RELEITURAS?

- Palavras: Consciência/ Deus/ fiel/ História/ Messianismo/  infidelidade/Religião/realeza/Israel/ instituição/Reis/ Juízes/ monarquia/ templo/
 CONCLUSÃO DOS LIVROS HISTÓRICOS:   Os livros bíblico históricos foram escritos para manifestar como Deus acompanha o seu povo na sua História concreta, mesmo no meio dos mais graves aconte­cimen­t­os, como as guerras contra os povos inimigos. A ideia teológica que ressalta estes livros é a imagem que o povo  tem de Deus, que o acompanha para o  libertar.

BLOCO 3-  LIVROS POÉTICOS / SAPIENCIAIS

SAPIENCIAIS: É o nome dado a cinco livros do Primeiro Testamento. Esses  livros Poéticos e Sapienciais são : Provérbios, Jó, Eclesiastes, Eclesiástico  e Sabedoria. A estes são acrescentados  dois livros Poéticos: Salmos e  Cântico dos cânticos os quais apresentam a Sabedoria e a espiritualidade de Israel. Com base no que se trata aqui “encontramos reflexões e expressões de sabedoria, poesias, cantos, orações, hinos e provérbios, nos quais o povo registra seus sentimentos e expressa sua sabedoria tirada da experiência da vida (CATEQUIZAR, 2016)” .
O primeiro testamento traz narrativas que nos fazem refletir sobre a celebração da Aliança de Deus com a humanidade e os vários caminhos que foram percorridos pelo povo eleito antes, durante e após a instituição da aliança e também traz relatos dos momentos em que esta aliança foi quebrada ou ameaçada pela infidelidade dos homens. A releitura do primeiro testamento nos mostra que, ao longo do tempo, sempre foi Deus quem estabeleceu a aliança com o povo e que Ele sempre esteve a postos para perdoar e ajudar seus filhos.

I- COMO A EXPERIÊNCIA DA ALIANÇA É RETOMADA EM CADA TEXTO BÍBLICO?

Os escritos sapienciais/poéticos têm como base a busca da Sabedoria e o desejo de transmiti-la às gerações futuras para que sirva de guia na vida cotidiana. Estes livros querem também despertar a consciência de que Deus escolheu e amou o seu povo e quer orientar os caminhos dele. Os mesmos livros destacam o direito, a justiça e a fidelidade como prova de cumprimento e observância da Aliança. Foram escritos no período pós-exílico pelos sacerdotes e escribas que se tornaram os guardiões das tradições religiosas. Estes escritos contém normas práticas para a vida cotidiana e são uma verdadeira teologia da Aliança.
“De acordo com Lopes (2014), “Nestes livros nós temos a sabedoria e a espiritualidade do povo de Deus. São frutos da caminhada, das experiências da vida, dos erros e acertos que o povo foi fazendo ao buscar a liberdade e a vida com o projeto de Deus. Assim, a sabedoria do povo de Deus presente nestes livros não é algo teórico, aprendido em outros livros ou em aulas; a sabedoria é fruto da meditação e da reflexão sobre a própria vida.”
  • Provérbios, Jó, Eclesiastes, Eclesiástico e Sabedoria (livros Poéticos: Salmos e  Cântico dos cânticos) É uma literatura marcada pela diferença entre quem  medita e vive os estatutos da aliança e quem os negligencia. Quem os vive é justo, quem não os vive é ímpio. Nos Sapienciais/Poéticos a Aliança passa a ser identificada com o cumprimento da LEI, a vivência dos mandamentos. Esta sabedoria sapiencial perpassa o Primeiro e o Segundo Testamentos, do Gênesis ao Apocalipse.
1-PROVÉRBIOS. Em Provérbios são apresentadas lições ou orientações para aprender a sabedoria, a disciplina e uma vida prudente. São reflexões construídas a partir das experiências dos autores e que ajudam a definir a relação do homem com Deus. Ajudam a caminhar corretamente e a não quebrar as leis e mandamentos de Deus e que regem a aliança por Ele estabelecida conosco. Vejamos estas citações:
Provérbios 2,16-17- “ 16. A sabedoria livrará você da mulher estrangeira, forasteira que seduz com palavras, 17.que abandonou o companheiro de sua juventude e esqueceu a aliança do seu Deus”
 Provérbios 3, 1-12- “Meu filho, não se esqueça da minha lei, mas guarde no coração os meus mandamentos, pois eles prolongarão a sua vida por muitos anos e lhe darão prosperidade e paz. Que o amor e a fidelidade jamais o abandonem; prenda-os ao redor do seu pescoço, escreva-os na tábua do seu coração. Então você terá o favor de Deus e dos homens, e boa reputação. Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos.
Honre o Senhor com todos os seus recursos e com os primeiros frutos de todas as suas plantações; os seus celeiros ficarão plenamente cheios, e os seus barris transbordarão de vinho. Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem
. “(Pr 3:1-12)
2- JÓ: Este livro é considerado por muitos a “obra-prima da literatura sapiencial” e possui uma narrativa em prosa (inicialmente) e poética.
A experiência da Aliança é retomada, especialmente, nos três discursos em que se fazem ponderações e reflexões sobre a justiça divina, perdão, confiança, fé, castigo, retribuição e sabedoria. Estes elementos são trabalhados de forma a lembrar que honrar a aliança com Deus implica em resistir as tentações e andar retamente nos caminhos do senhor; implica em ter fé no Deus que é amor e sabedoria; em acreditar que a justiça divina se realiza não como forma de punição, mas de perdão e redenção; implica em ter sabedoria para tomar as decisões certas e resolver os problemas conforme a vontade do Pai. O Livro de Jó é um lembrete claro de que a celebração da Aliança com Deus não implica em não ter mais sofrimento, mas sim em permanecer firme na fé e honrar a aliança mesmo quando as coisas não vão bem. Jó nos lembra que a aliança não exclui sofrimento, mas nos permite crescer e ser melhores a partir dele (sofrimento), porque Deus sempre honrará o seu compromisso para conosco, mas precisamos ter fé, confiança e reconhecer quando estamos errados, pedir perdão e retomar a aliança. E ainda, com Jó reafirma-se a verdade de que a vontade de Deus não pode ser questionada ou julgada por seus filhos, porque Ele é sábio e soberano; e é sempre Ele que nos procura para fazer a aliança.
3- ECLESIASTES trata principalmente das vaidades das coisas humanas e “trata-se de um livro profundamente crítico, lúcido e realista sobre a condição do povo, por volta do século III AC “ (BÍBLIA PASTORAL). Relaciona-se com a aliança porque questiona as injustiças da estrutura social e incentiva a reflexão sobre o que é preciso fazer para realizar mudanças que levem à justiça e a fraternidade. Estas duas são elementos que Deus trouxe ao seu povo quando libertou-os da escravidão e da injustiça e estabeleceu com ele a aliança.
ECLESIASTES - O eclesiastes é um convite para destruir e construir. Destruir uma falsa concepção de Deus e da vida, que muitas vezes é justificada por uma concepção  teológica profundamente arraigadas. O autor diz no seu livro que:  “..1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.2 Há  tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; 3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; 4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; 5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; 6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; 7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; 8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.” (Eclo 3, 1-8).
4- LIVRO DO ECLESIÁSTICO: o termo berît ou diatheke, significa a Aliança retomada como promessa divina feita a Noé, Abraão, Patriarcas, Aarão, Davi, Finéias. Não é uma aliança propriamente dita, mas uma promessa reconhecida como irrevogável, duradoura. A Aliança passa a ser identificada com a LEI centrada no livro da Torah. A LEI da Torah encarna concretamente a Aliança, a promessa e a graça divina. A circuncisão se torna o sinal da Aliança com Abraão e o distintivo dos judeus fiéis. O Eclesiástico ressalta que a Sabedoria vem do Senhor, Sb 1. No capítulo 44, faz memória da Aliança feita com Noé, Abraão e outros Patriarcas. No capítulo 45, faz um elogio bonito a Moisés. “O Senhor mesmo será sua herança.” Todo este livro é a memória do povo de Israel, das lideranças conduzindo-o na caminhada com o Senhor e da fidelidade do Senhor para com seu povo Israel.  A Sabedoria não é só dom de Deus, ela deve ser cultivada e amada. Os estatutos da Aliança devem ser plantados e cuidados nos corações para que gerem a sabedoria e o temor de Deus.
5- SABEDORIA (DE SALOMÃO): este livro é normalmente atribuído a Salomão e é um livro deuterocanônico. Ensina a verdadeira sabedoria e como a sabedoria verdadeira vem de Deus. Nos 19 capítulos a aliança é retomada ao falar da criação de um homem incorruptível e que deve viver “santamente” para obter a recompensa no final. Isto é, deve-se andar corretamente no caminho do Senhor e honrar a sua aliança. Em outro momento, o livro fala da sabedoria como a presença de Deus; presença que deve ser buscada para fugir das tentações, do pecado. A sabedoria deve ser buscada sempre. A terceira parte relaciona-se mais diretamente com a Aliança pois mostra a manifestação de Deus como salvador do povo, ou seja, fala-se mais abertamente da aliança que Deus fez com a sua criação a partir da memória do êxodo.
6- LIVROS POÉTICOS: SALMOS: começo com o Sl 111, 5.9  onde a experiência da Aliança é retomada como temor de Deus. E o Sl 25, 14 contém a mesma ideia “O Senhor confia seus segredos aos que o temem e os leva a conhecer sua Aliança.” O cumprimento da Aliança gera o justo, o não cumprimento gera o ímpio.
O Sl 70,10 identifica Aliança com a Lei de Deus, a Torah. O Sl 89 relembra a Aliança feita com o servo Davi, jamais será quebrada; jamais violará a Aliança ou modificará as promessas feitas.
Salmo 94, 20 a corrupção e a injustiça não combinam com a Aliança de Deus, mesmo se a injustiça é feita em nome da Lei.
O Sl 105 retoma a Aliança como prova da fidelidade de Deus “Ele se lembra para sempre da sua Aliança, da Aliança que fez com Abraão, do juramento a Isaac, confirmou como decreto a Jacó, Aliança eterna com Israel.” O Sl 106 faz a releitura da Aliança do ponto de vista do imenso amor de Deus para com seu povo “Lembrou-se da sua Aliança com eles e arrependeu-se.”
 Enfim, o livro dos Salmos é um conjunto de orações e poemas belíssimos que ajudam a manter viva Aliança de Deus com seu povo e do povo com seu Deus, tanto nos tempos sombrios como nos tempos de festa e alegria.
7- CÂNTICO DOS CÂNTICOS: é uma releitura alegórica da Aliança. É o símbolo de um belo diálogo entre Deus e seu povo, diálogo que retoma o formato da Aliança.
 Cântico 5 e 6 “Eu sou do meu amado e o meu amado é meu” = “Eles serão o meu povo e eu serei o Deus deles.”  O Cântico dos Cânticos revela a expressão máxima da relação de amor entre Deus e Israel. O amado é Deus e a amada é a comunidade de Israel e por isso é um canto da Aliança de Deus com Israel na alegoria dos dois jovens nubentes que se procuram dia e noite: Deus procura Israel e Israel procura Deus. São dois nubentes que vivem uma paixão extraordinária um pelo outro.
É maravilhoso compreender este livro nesta perspectiva, pois revela a paixão que Deus sempre teve para com a humanidade, mesmo quando ela não é fiel.

II- QUE IMAGENS, NOÇÕES OU VISÕES DE DEUS, REVELAM ESTES TEXTOS DE RELEITURA DA ALIANÇA?
 Em vemos A IMAGEM DO DEUS QUE ENSINA POR MEIO DO SOFRIMENTO, ou seja, o que Deus que educa, como podemos constatar em “Ditoso o homem a quem Deus corrige: não desprezes a lição de Shaddai (Jo 5, 17)”.
Aparece também A IMAGEM DO DEUS JUSTO, SÁBIO, mas também destruidor e o que castiga. Estas imagens aparecem na narrativa do sofrimento e das atribulações pelos quais Jó passa até encontrar a redenção.
Eclesiastes: IMAGENS E VISÕES DE UM DEUS SÁBIO (Eclesiastes 7), protetor (Eclesiastes 2, 24- 25) e que realiza tudo a seu tempo (Eclesiastes 3):
Provérbios: noção de UM DEUS QUE DEVE SER TEMIDO COMO PRINCÍPIO DA SABEDORIA (Provérbios 1,7). Figura de Deus como fonte de sabedoria (Provérbios 3, 5-6). Deus criador (Provérbios 8, 22-23).
Sabedoria (de Salomão): mostra um DEUS QUE DEVE SER PROCURADO (Salomão 1, 1-2); um Deus que é onipotente e por isso está em todo lugar (Salomão 1, 7); vê-se também um Deus que é juiz que pune os culpados e recompensa os justos (Salomão 5, 15-23); DEUS QUE É INSPIRAÇÃO (Salomão 7, 15-22); Há também a figura de um DEUS QUE É SABEDORIA EM PESSOA e que a utilizou para gerar a vida, salvar e libertar os cativos (Salomão 10, 1-21)
Nos salmos: A NOÇÃO DE UM DEUS QUE PROTEGE OS JUSTOS E CASTIGA OS ÍMPIOS, Sl 1 por exemplo. Um Deus misericordioso que tira o indigente do monturo e o salva. Um Deus que conhece a pessoa pelo nome e a ama antes mesmo de ser gerada no ventre materno, Sl 138/139. Um Deus que perdoa o pecador que se arrepende, Sl 50. Um Deus que espera o cumprimento dos seus preceitos e que ande em seus caminhos, Sl 118/119; Sl 91. Um Deus protetor, Sl 90. Alguns salmos revelam a imagem de um Deus que é digno de louvor e gratidão.
No Eclesiástico: Deus identificado com a Sabedoria. DEUS CUIDADOR DO SEU POVO ISRAEL, sobretudo dos seus líderes. Deus presente na caminhada e que age constantemente.
No Cântico dos Cânticos:  A IMAGEM USADA É DE PROTEÇÃO E TERNURA Ct 8, 3.5. Lembra a caminhada de Israel pelo deserto marcada pela presença constante de Deus. É a imagem de um amor nupcial/conjugal  apaixonante. Recapitula toda a história de amor entre Deus e Israel.

III - QUAIS SÃO AS PALAVRAS / IDEIAS CHAVES QUE SURGEM, E O QUE SE CONCLUI DESTAS RELEITURAS?

AS PALAVRAS: Nos  textos estudados de Jó, Sabedoria,  Eclesiastes e provérbios , as palavras/ideias chaves são: Sabedoria, temor, obediência e fé. Nos textos de Eclesiástico,  Salmos e Cântico dos Cânticos, as palavras são: amor, temor, fidelidade, preceitos, caminho, ímpio/justo, lei, coração, justiça, observância, testemunho, mandamentos; impiedade do povo, aliança, memória dos patriarcas/ líderes, prática dos estatutos, cultivo da sabedoria./eleição, amor, núpcias, fidelidade, busca, encantamento, paixão, beleza, amado, grandeza, jardim, homem-mulher, aliança.
  1. O livro de Jó é para muitos um grande tratado sobre a paciência, mas não é exatamente sobre isso que o livro trata. Ele fala da experiência da fé em Deus, da confiança nele e na compreensão de que o sofrimento faz parte da Aliança e é fundamental para reconhecermos que Deus é o maior, é sábio e toma sempre as decisões corretamente para sua honra e glória. Não é um livro sobre a paciência, mas sobre a fé e a redenção.
  2. No livro da Sabedoria percebe-se que ela é dom divino e deve ser perseguida/almejada por todos nós, para que tenhamos condições de seguir o projeto de Deus e garantir uma existência plena de realizações.
  3. Em Eclesiastes e provérbios se percebe que honrar a aliança com Deus é simples: basta ter fé, obediência, humildade e sabedoria.
  4. Os 4 são livros com orientações sapienciais para bem viver a vida de acordo com as leis e ensinamentos de Deus.
  5. Nos Salmos: amor, temor, fidelidade, preceitos, caminho, ímpio/justo, lei, coração, justiça, observância, testemunho, mandamentos.
  6. No Eclesiástico: Fidelidade de Deus, impiedade do povo, aliança, memória dos patriarcas e líderes, prática dos estatutos, cultivo da sabedoria.
  7. No Cântico dos Cânticos: eleição, amor, núpcias, fidelidade, busca, encantamento, paixão, beleza, amado, grandeza, jardim, homem-mulher, fidelidade, aliança.

CONCLUSÃO DOS LIVROS POÉTICOS / SAPIENCIAIS: O povo de Israel tomou consciência de que Deus o escolheu como seu povo e vai alimentar esta consciência ao longo de toda a sua história. Toda a teologia da Aliança é o testemunho de como Israel identificou a relação de Deus com ele e dele com Deus. Nas narrativas bíblicas a Aliança de Deus com seu povo tem as características do relacionamento homem – mulher, duas pessoas que se amam e que se prometem fidelidade mútua. A Aliança é sempre gratuita e da iniciativa de Deus. Mas a Aliança supõe a prática, a vivência, não por apego a normas mas simplesmente por amor, como resposta a uma proposta totalmente “de graça.”
Deus toma a iniciativa, mas se eu não aceito ou não correspondo ou me desvio, nada de extraordinário vai acontecer entre Deus e eu. Deus não ficará frustrado, mas terei perdido a grande chance de me deixar amar e conduzir por ELE.  Estes livros também  fazem um alerta aos governantes,Reis,  a responsabilidade das autoridades é muito grande, porque delas depende a vida do povo, Segundo diz livro da Sabedoria diz: “1...Escutem reis e aprendam compreender, aprendam governantes de toda terra..2 prestem atenção,vocês que dominam os povos e estão orgulhosos pelo grande números de súditos.3 o poder de vocês vem do Senhor, e o domínio vem do Altíssimo...4... vocês não julgaram com retidão, não observaram as leis, nem procedem conforme a vontade de Deus ” (Sab 6,1-5). Só a sabedoria pode conduzir a harmonia
É sábio aquele que reconhece a Deus como Salvador e como o Grande Senhor e também aquele que humildemente reconhece as suas falhas e busca o perdão (a retomada da aliança).  Pergunto-me: por onde anda, hoje, nossa consciência de sermos povo escolhido de Deus? “Eu procuro o meu amado e o meu amado me procura!” Como é isto neste século em que vivemos? Um grande teólogo dizia: o cristão do século XXI será um místico ou não será cristão.
 
BLOCO 4- LIVROS PROFÉTICOS

 Os  livros proféticos que serão abordados aqui são dez, entre eles profetas Maiores:  Isaías; Jeremias; Ezequiel; Daniel; E Os Profetas Menores: Oséias; Joel; Miquéias; Ageu; Zacarias; Malaquias, Não Se quer dizer com isso que uns profetas sejam melhores que outros, mas sim destacar a extensão dos seus escritos. O significados de profeta em hebraico – profeta = nabi = Significa  o que é chamado;  em Grego – pro = em nome de; Phemi = falar – Significa falar em nome de Deus. As grandes vertentes  visíveis nas atividades dos profetas são:  Exigência da conversão para mudar o sistema social  a fim de que o julgamento de Deus não recaia sobre o povo; e O Anuncio da Esperança para encorajar e estimular o povo que tinha perdido sua terra e o perigo de perder a sua identidade própria.
 1. LIVROS PROFÉTICOS:Tipos de pregação profética: (Exortações – é um apelo do coração do homem para que este evite a desventura. Geralmente começa: “escutai”;  e  Oráculos – tinham geralmente um tom ameaçador. Tem motivação moral e anuncia ventura ou desventura futura.)
Temas das mensagens proféticas:  Os profetas falavam principalmente aos próprios contemporâneos, mas sua visão acerca do mundo engloba o passado, o presente e o futuro. O profeta vê num só relance as verdades eternas e os fatos em que elas se mostram. A mensagem de cada profeta varia de acordo com o momento histórico em que viveram e com os ouvintes de sua pregação. Temas principais: a salvação realizada em Cristo, o anúncio do Messias, a glória de Deus.
- Profetas antes do exílio:  Sofonias, Naum, Habacuc, Miquéias, Isaías, Jeremias, Oséias e Amós. Eles mostravam ao povo e reis as suas faltas; Deus os entregaria aos estrangeiros pelas suas faltas; Exigiam a conversão do povo, para que não caísse sobre o país o julgamento de Deus.
- Profetas durante o exílio: Ezequiel, Isaías (40-55). Eles viveram na Babilônia. São chamados profetas da consolação; procuram erguer o ânimo do povo, para que retornem a caminhada e recuperem a fé em Deus.
- Profetas depois do exílio: Abdias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Joel, Isaias, Jonas. Incentivaram o povo a reconstruir o templo, os muros e a cidade de Jerusalém; a eles competia empreender a reforma religiosa, moral e social da comunidade judaica, predizendo a glória do futuro Messias.
O Profeta é escolhido por Deus para transmitir sua mensagem. Toda profecia bíblica , vinda dos profetas está enraizada na relação de amor/aliança entre Deus e seu povo. Tem tudo a ver com a fidelidade a Deus mediante a prática da Toráh; é abrangente se apresenta como ensinamento, orientação o caminho oferecido por Deus  a seus filhos. A figura do profeta está estreitamente ligada a ela. Considerando  Toráh=caminho reto, e estar fora dela é desviar-se do caminho proposto por Deus. Portanto, no momento em que o povo deixa o bom caminho e se desvia, a missão do profeta é ajudar o povo a retornar ao bom caminho., para observância da Toráh. Este é o  desejo ardente de todo profeta. Então opor-se ao caminho reto é é opor se ao Deus verdadeiro, se desviando  para o caminho de falsos deuses; é neste sentido que o profeta intervinha. Ele é um homem de sensibilidade aguçada,  lia a realidade e confrontava com a verdade e vontade  de Deus; estando  a linguagem profética sempre voltada para a questão da infidelidade da aliança concluída no Sinai. Profecia é um dom de Deus como a própria aliança.

  I.  COMO A EXPERIÊNCIA DA ALIANÇA É RETOMADA EM CADA TEXTO BÍBLICO?

1- EM  ISAÍAS: Ele se preocupa em falar da Santidade de Deus. Só Deus é absoluto. Evidencia aqui a aliança com seu povo de Israel.
Em Isaías 54, 4-10- O autor usa uma linguagem matrimonial para falar da aliança entre Deus e Israel. Deus é o esposo e Israel a esposa. Como um esposo Deus fez uma aliança de eterna fidelidade com Israel. Mas, Israel foi infiel e Deus momentaneamente o abandonou. Mas o esposo (Deus) não esquece sua esposa (Israel). O esposo (Deus) voltará para a esposa (Israel) e a tornará fecunda (cheias e bênçãos) porque restabelecerá com ela a sua aliança perpetua.
Em  Isaías 24,5: A terra está contaminada pelos seus habitantes, porque desobedeceram às leis, violaram os decretos  e quebraram a aliança eterna.
Em  PS: Aqui neste trecho há a quebra da aliança eterna com Javé. O povo se corrompe e desobedece às Leis do Senhor.
Em  Isaías 31,1:Ai dos que descem ao Egito em busca de ajuda, que contam com cavalos.  Eles confiam na multidão dos seus carros e na grande força dos seus cavaleiros, mas não olham para o Santo de Israel, nem buscam a ajuda que vem do ­Senhor! 
Infeliz dos que contam e confiam em seus carros e cavaleiros, e esquecem de Javé. Não o buscam!!!! Aqui também o senhor é esquecido e trocado por ídolos. Há aqui também a quebra da aliança com Javé.
2- EM JEREMIAS: Aqui há o confronto entre Jeremias e as estruturas sociais decadentes de sua época ( Jr 1,4-5)
- Jeremias31, 31-34: " Eis que  chegarão dias ... em que farei uma aliança nova  com Israel e Judá. Não será como a aliança que fiz com seus antepassados ...quando tirei da terra do Egito, aliança que eles quebraram embora fosse eu o Senhor deles..." Jeremias retoma o tempo da caminhada do povo no  deserto como tempo da juventude. Tempo de namoro de Deus com Israel em que a noiva (Israel) era fiel. O autor chama a comunidade a reavivar a afeição que existia entre Deus e seu povo. Recorda os tempos de união outrora existentes e que Deus agora quer retomar com seu Povo.
- Jeremias  (32:39-40): "Vou dar-lhes um só coração...um só modo de se comportar para que me temam a vida inteira, para a felicidade deles e dos filhos que vierem depois, farei com eles uma aliança eterna e nunca deixarei de fazer-lhes o bem, colocarei no coração deles o meu temor,  para que  não se afastem de mim "  Deus agora anuncia uma nova aliança que será escrita no coração do homem. A fidelidade a aliança nascerá no coração do homem, não mas escritas em pedras (com a aliança feita no Sinai). Com a lei escrita no coração ocorrerá mudança, conversão e fidelidade interior.  Israel não mais será infiel a Deus. A aliança será eterna tanto da parte de Deus como da parte de Israel.
O autor no seu livro também  usa a linguagem matrimonial, para descrever a aliança de Deus com Israel. (Jr 3,1-18:  1 ) "Se um homem se divorciar de sua mulher e depois da separação ela casar-se com outro homem, poderá o primeiro marido voltar para ela? Não seria a terra totalmente contaminada?Mas você tem se prostituído com muitos amantes e, agora,quer voltar para mim?",pergunta o Senhor. 2 "Olhe para o campo e veja:Há algum lugar onde você não foi desonrada? À beira do caminho você se assentou à espera de amantes,assentou-se como um nômade no deserto.Você contaminou a terra com sua prostituição e impiedade. 3 Por isso as chuvas foram retidas,e não veio chuva na primavera.Mas você, apresentando-se declaradamente como prostituta,se recusa a corar de vergonha.  4 Você não acabou de me chamar:'Meu pai, amigo da minha juventude? 5 Ficarás irado para sempre?Teu ressentimento permanecerá até o fim?' É assim que você fala,mas faz todo o mal que pode".
  3- EZEQUIEL: Ezequiel- 10-19: A situação histórica deste oráculo não é muito precisa. Uma das tarefas sacerdotais era determinar o que se podia considerar puro ou impuro, consagrado ou profano (cf. Ez 44,23). São várias  as  citações em Ezequiel  que falam da aliança entre Deus e o Povo
  • Ez 17,19:  A quebra da aliança.
  • Ez 37  a aliança de paz -  " Farei com eles uma aliança de paz, que será uma aliança eterna. Vou estabelecê-los e  multiplicá-los e colocarei meu santuário no meio deles para sempre." 
  • Em ( Ez 34, 25) - "A aliança de paz será restabelecida."
  • Em Ez 44 temos o rompimento da aliança: (Ez 44,7 ):Aliança rompida, santuário, estrangeiros incircuncisos,  profanação do templo, pão, sangue e gordura.
 Ez 15,1-8: Israel considerada videira fértil, amada e escolhida de Javé.
 Ezequiel iguala os habitantes de Jerusalém à videira infiel e inútil, que será consumida pelo exército babilônico. Jerusalém se aliou às outras nações cometendo adultério e por isso será castigada.
Deus elege e dá a missão para transmitir sua mensagem (Ez 3,11). Não era por livre escolha e muitas vezes rejeitava a missão tentando fugir dela. Contudo, em meio às tribulações que sofria, era na missão que encontrava sua verdadeira felicidade. Ele passa a ser habitado pela Palavra Divina, fonte de toda profecia. Ele é um mediador em função da aliança e da Toráh, sendo a mensagem de Deus revelada e transmitida mediante ação humana.
 4- PROFETA DANIEL: ( D1,6 )  A narrativa de Daniel é Apocalíptica, surge no século II a.c- a comunidade sofre perseguições e passa por crises. Conta na primeira parte histórias passada sob a dominação Persa; Na segunda parte ( D 7,12), o autor  em linguagem própria da apocalíptica , mostra as histórias em etapas, relacionadas aos  conflitos entre as grandes potências. Ressalta que o Reino de Deus está pra ser implantado, é necessário ter animo e coragem para resistir ao opressor, permanecendo fiel.
Daniel (2,43)” O ferro que a vossa majestade viu misturado com o barro significa que as pessoas se juntarão por casamento, mas ao se ligarão umas com as outras, assim como o ferro não faz liga com o barro.”Trata-se de uma critica a política opressora de Antíoco IV,  ou seja o seu reinado é a parte de barro ao pé da estátua.
Daniel 9,4.27 ainda diz:“ ...fiz uma oração ao Senhor Deus confessando e dizendo:”Ah! Senhor, Deus imenso e terrível, cumpridor da aliança e do amor pra com os que te amam e  observam os teus mandamentos...pecamos , praticamos ciúmes e impiedades, fomos rebeldes e nos desviamos dos teus mandamentos... pecamos contra tí ”( Dn 9, 4-8). :
Daniel 11, 30-32“ ...os navios  de Cetim lhe virão  ontra, e ele ficará com medo e voltará atrás para descarregar sua cólera contra a Santa Aliança. Ele favorecerá  os que abandonaram a Santa Aliança...mas  dos que reconhecem o seu  Deus agirá com firmeza.”
5-PROFETA OSÉIAS:  A Aliança nos profetas Embora o termo "berît” seja normalmente evitado nos escritos proféticos, a ideia de “aliança” como relação/parceria, aparece de forma mais clara e nítida, com o profeta Oséias. Na literatura profética, é Deus quem toma a iniciativa de realizar a aliança com o povo e, ao mesmo tempo, é Deus quem constantemente a retoma, perdoando as infidelidades do seu povo e do rei. Enfim, os profetas desenvolvem uma ‘teologia do coração’, com a finalidade de induzir os ouvintes, a uma adesão pessoal e interior de amar ao Senhor, e caminhar nas suas sendas.
Em Os 8,1- O profeta Oséias   entende  e fala da  aliança como a relação do Senhor para com o seu povo, e denuncia a ruptura da aliança de Israel, por sua infidelidade. Então a aliança consiste na eleição de Israel pelo seu Senhor mas também na dedicação exclusiva de Israel para com Deus.
Oséias compara a  própria relação matrimonial, com a relação de Deus com Israel. Os permaneceu fiel a sua esposa infiel. De forma simbólica o profeta descreve essa infidelidade pelos nomes de seus filhos, aos quais  Deus teria pedido a ele para chamar de: ' Lo-Ami' = '' Não meu povo'' Os 1,9; 'Lo-Huhamah' = "Não amada" Os 16. Mas o amor de deus é maior que tudo, e por isso contradirá os nomes que refletem esta infidelidade: " Os filhos de Judá  e os Israelitas se reunirão... "Dizei aos vossos irmãos:'Meu povo' (Ammi), e as vossas irmãs 'Amada' (Ruhamah)(cf. Os2,2-3). O amor de Deus para com Israel  é a razão, o fundamento pelo qual Deus espera de Israel uma resposta de amor.
6- JOEL: Este profeta nos seus escritos, convida a todos para contemplar o triste espetáculo de uma natureza destruída  por uma praga de gafanhotos, onde todos foram atingidos e nada sobrou, nem mesmo o necessário para a liturgia cotidiana.  A comunidade ficou como a jovem que perdeu o noivo.
- JOEL: 4,17: “ Eu sou Javé, o Deus de vocês, Que moro em Sião meu Santo Monte. E Jerusalém será santa. Estrangeiros nunca mais passarão por ela”.
 - JOEL 2, 12-13: O dia de Javé: “Ainda assim, agora mesmo diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. (Joel2 ,12,13)
7- PROFETA MIQUEIAS: Nos  escritos proféticos o tema da aliança não está desvinculado da dimensão sócio-político-econômico. Todo contato de Israel com seu Deus implica uma transformação moral e espiritual interna como podemos. observar  em Miquéias 3,1-12:(denúncia contra a sociedade corrupta/injusta que oprime os mais fracos em Jerusalém). Mq 1,7: A Vida além do seu tempo, tem como característica a compaixão de Deus. Declara que Deus é Santo e justo e não tolerará mais a maldade persistente de seu povo. Usa de figura de prostituição para descrever o culto aos ídolos (Miquéias 1,7).
Mq 2,6-7: A elite de Judá contesta contra o profeta. A elite de Judá, acredita estar no caminho certo, porém oprimem os mais fracos. " Não profetizem! A desgraça não cairá sobre nós. Casa de Jacó foi amaldiçoada? Paciência de Javé acabou? É isso que ele faz? A promessa dele não é de bênção para quem vive na retidão?" Neste texto,  o profeta é contestado, por transmitir aos opressores a verdade de Deus e o que acontecerá se não se converterem.
 Mq 7, 1-7: Deus como dono da vinha, faz tudo para que o povo produza uvas boas. Mas só encontra uvas de infidelidade (cf. Is 5,1-7) . Os principais culpados pela violação da aliança são os governantes autoritários, juízes envolvidos em subornos, e poderosos corruptos e ambiciosos. Eles corrompem toda a sociedade, e a infidelidade invade a casa e as relações familiares.
 Miquéias  8-20: Esta última parte é acrescentada ao livro pela comunidade pós-exílica, que tenta reconstruir a nação em torno de Jerusalém. O texto contém 4 cânticos, que retomam o tema dos caps. 4-5 (pecado,castigo, conversão e restauração). A ênfase está na conversão: reconhecer os erros do passado, retornar a aliança com Deus do êxodo e caminhar no seu amor e na graça. No cap 18-20, termina com o canto de confiança na misericórdia e fidelidade do Deus da aliança(cf. Ex34,6-7) O redator final busca dar instrução e esperança à comunidade pós-exílica.
7-Em MALAQUIAS 3,1-2: Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. 2 Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros.
(Mal 2,4-5) “Então vocês saberão que fui eu que lhes fiz esta advertência para que a minha aliança com Levi fosse manti­da, diz o Senhor dos Exércitos. A minha aliança com ele foi uma aliança de vida e de paz, que na verdade lhe dei para que me temesse. Ele me temeu, e tremeu diante do meu nome.
 8- EM  ZACARIAS 9,11-12:“Quanto a você, por causa do sangue
da minha aliança com você, libertarei os seus prisioneiros
de um poço sem água.
Voltem à sua fortaleza,  ó prisioneiros da esperança; pois hoje mesmo anuncio que restaurarei tudo em dobro para vocês. (Zacarias 11,10: 10 ) E tomei a minha vara Graça, e a quebrei, para desfazer o meu pacto, que tinha estabelecido com todos os povos.
9- EM AGEU - Os exilados voltaram para a Judeia e agora enfrentam o perigo do esfacelamento. Cada um busca seus próprios interesses e, como sempre acontece, um pequeno grupo conquista privilégios em detrimento da grande maioria que vive na miséria. Diante disso, Ageu convoca os chefes e o povo a tomar posição: reconstruir o Templo como centro de vida e coesão da comunidade. Não se trata apenas de um projeto material, mas também e sobretudo de um projeto social: reativar o clima da Aliança, de modo que o povo se una solidário e lute corajosamente para reconstruir a vida nesse tempo difícil. Só assim Javé estará novamente no meio do seu povo. Provavelmente, Ageu considera o Templo em ruínas como um cadáver, em contato com o qual pessoas e coisas se tornam impuras; é preciso reconstruir o Templo, eliminando esse cadáver, para que Deus abençoe novamente as colheitas. Os vv. 15-19 têm mais sentido se lidos depois de 1,15a. 
Entretanto; em Ageu 2, 1-9 Fala as escrituras: " As pessoas que viam a simplicidade do Templo reconstruído ficavam desapontadas ao compará-lo com a suntuosidade do Templo de Salomão. Ageu, porém, salienta que o importante não é o edifício, mas a Aliança com Javé: «Eu estou com vocês» (v. 4). A seguir anuncia a promessa de um destino glorioso, em que as nações e suas riquezas se concentrarão nesse Templo. Alguns veem no v. 7 a tentativa de desviar para o Templo o tributo que deveria ser pago ao rei da Pérsia. Nesse caso, o profeta Ageu estaria apoiando um movimento de rebelião contra o domínio persa."
Vejamos o que diz ainda estas outras citações:” Eu estou com vocês1.  No dia vinte e um do sétimo mês, a palavra de Javé foi dirigida por meio do profeta Ageu nestes termos: 2 Diga ao governador da Judéia, Zorobabel, filho de Salatiel, ao chefe dos sacerdotes, Josué, filho de Josedec, e ao resto do povo: 3 Entre vocês algum sobrevivente que tenha visto esseTemplo no seu antigo esplendor? Que acham dele agora? Em comparação com o antigo, não lhes parece que este nem existe? 4 E agora, coragem, Zorobabel! - oráculo de Javé. Coragem, Josué, filho de Josedec, chefe dos sacerdotes! Coragem, povo todo da terra! É o que Javé diz. Mãos à obra, pois eu estou com vocês - oráculo de Javé dos exércitos - 5 conforme a palavra da Aliança que estabeleci com vocês, quando saíram do Egito.( Ag 2-  15).

II- QUE IMAGENS, NOÇÕES OU VISÕES DE DEUS, REVELAM ESTES TEXTOS DE RELEITURA DA ALIANÇA?

- O texto de Isaías (54:4-10) e os textos de Jeremias (31:31-34 e 32:39-40) revelam um DEUS AMOROSO QUE MANTÉM A SUA FIDELIDADE NA ALIANÇA estabelecida com Israel.
- Um DEUS QUE CAMINHA JUNTO A SEU POVO e que EXIGE DESSE UM AGIR ÉTICO para que possa receber suas bênçãos. Um Deus que corrige Israel quando esse descumpre as clausuras da sua aliança.
- UM DEUS QUE DESEJANDO REATAR SUA ALIANÇA quer a sua lei marcada no coração para que Israel seja um povo santo exemplo para outras nações.
- Jeremias: O Senhor me disse: "Israel, a infiel,é melhor do que Judá, a traidora., -Jeremias: 12 “Vá e proclame esta mensagem para os lados do norte:"Volte, ó infiel Israel", declara o Senhor,"Não mais franzirei a testa cheio de ira contra você, pois eu sou fiel", declara o Senhor,"Não ficarei irado para sempre.
PS: Javé com sua promessa de amor e perdão.
- Em Miquéias: DEUS, DONO DA VINHA, busca uvas boas(bons frutos) só encontra uvas da infidelidade;
-Mq 7,7: DEUS SALVADOR, Deus que ouvirá. Javé é Luz 7,8; 7,9 contemplar a justiça de Deus.
Mq 14-17: PASTOR E LIBERTADOR, guia e protetor
Mq 8-20; ( pecado,castigo, conversão e restauração).
-Imagem de DEUS AMOR, MISERICORDIOSO que perdoa os seus filhos quando se arrependem; Deus que pune quando é desobedecido e não amado, trocado por outros ídolos.
- Oséias 3: Vá de novo e ame A IMAGEM DO HOMEM QUE AMA NOVAMENTE A MULHER amada de outro , é utilizada para EXPRESSAR A INSISTÊNCIA DE JAVÉ NO RELACIONAMENTO COM SEU POVO, que busca outras divindades ( cf. Jr 7,18; 44,19). Não ter contato com homem algum é aplicado à situação de Israel no exílio, que está privado de suas instituições civis e religiosas.  
Oséias 12-14: Aqui os redatores unem as duas metáforas usadas anteriormente: casamento e rebeldia do filho, que será destruído, a menos que se converta (cap 13). A mulher arrependida voltará para seu marido e para os seus pais(cap.12). O reflorecimento da natureza simboliza a reconciliação entre marido e mulher ( cf.14,2-9).
Filho=Israel rebelde, mulher é a esposa amada(Israel de Deus) e marido+Javé. Nos textos seguintes, persebe-se a mão de Deus que punirá se não houver retorno aos caminhos de Javé; mas, se houver retorno Javé é misericordioso e bom para perdoar sua amada rebelde.
- Ezequiel: Javé SE APRESENTA COMO DEUS CIUMENTO, VIOLENTO  E CASTIGADOR, pune os que seguem a idolatria. (Ez 20,1-21); Ez 30,5: Cuch, Fut, Lud, toda essa mistura de povo, Lub e os filhos da terra e  da aliança cairão com eles pela espada. Ez 21,23: espada do rei , JAVÉ, PALAVRA DE DEUS.. Ez 20,37: cajado, aro da aliança. Ez 16,8: “Passei por aí, vi você. Notei que estava na idade do amor. Então joguei meu manto  em seus ombros para cobrir tua nudez. Ez 16,59-62:  JAVÉ PERDOA OS PECADOS DE JERUSALÉM E ESTABELECE COM ELA NOVA ALIANÇA.
- JOEL: 4,17: “ Eu sou JAVÉ, O DEUS DE VOCÊS, QUE MORO EM SIÃO meu Santo Monte. E Jerusalém será santa. Estrangeiros nunca mais passarão por ela”.
- DANIEL: 2,43 ” O barro que o rei viu misturado com barro significa que as pessoas se juntarão por casamentos, porém não ligarão umas com as outras, assim como o barro não se mistura com ferro”;
9,4-27 ...” DEUS CUMPRIDOR DA ALIANÇA e do AMOR PARA COM OS QUE O AMAM E OBSERVAM SEUS MANDAMENTOS”;
Daniel 11,17: rei do norte faz acordo com rei sul para arruiná-lo dará sua filha em casamento, mas não terá êxito; 11,22: aniquilará os inimigos, vencendo-os o príncipe da aliança; 11,28: reino do norte retoma e seu pensamento está voltado contra a Santa aliança; 30-32: cólera contra a santa aliança. Abandono da Santa aliança, profanação do santuário, abominação do sacrifício cotidiano, instalação do ídolo abominável.

III - QUAIS SÃO AS PALAVRAS / IDEIAS CHAVES QUE SURGEM?
 ALGUMAS PALAVRAS : Deus cumpridor da aliança/ aliança eterna e de paz/ santuário, videira infiel, /Aliança, matrimônio, esposa infiel, /adultério, quebra da aliança,/ profanação do  santuário,/ Javé esposo, Israel esposa,  Javé perdoa, Javé ciumento, retorno a Javé, Israel(uvas boas/uvas de infidelidade), Israel(filho rebelde),  ama.
IDEIAS PRINCIPAIS:O Israel de Deus de todos os tempos da história da humanidade, pode pecar infinitas   vezes, porém, se, se converter e voltar a amar Javé de todo coração e abandonar os falsos ídolos, retornando para a casa de Deus, para  suas leis e sua Palavra, Javé estará pronto a perdoar e estabelecer uma nova aliança com seus filhos amados,  escolhidos  e eleitos por ele.
Todos os profetas se preocupam com a questão da verdade/direito/justiça. nEm Israel não há nada disso sem observar os estatutos da aliança, das cláusulas da Toráh. no que diz respeito à aliança, duas vias são inevitáveis e se estabelecem: a do acerto e da perdição. E para relembrar o povo o caminho certo, os profetas relembram sempre os grandes feitos de Deus tanto para exaltar- acerto e fidelidade,  como para punir- o erro e infidelidade. Esta postura não foi inventada, ela vem da consciência da relação particular de Israel com o seu Deus. É  a natureza da proposta a que pressupõe uma prática. Não uma prática por apego, mas por amor que fundamenta a eleição e aliança. Todo ensinamento profético é orientador no sentido de abrir o ouvido do povo  e o seu coração para as normas e estatutos do contrato da aliança. Ensinamento válido para todos no interior de Israel. A aliança nos profetas é vista sob o prisma matrimonial. Deus seu esposo, escolhe Israel sua esposa.
ISAÍAS: O vínculo entre Israel e Deus se assemelha em intimidade e entrega e fidelidade a um casamento/ A aliança entre Deus e Israel que é eterna e indestrutível da parte de Deus./ O proceder de Israel em desacordo com as clausuras da aliança leva aos efeitos punitivos previstos na aliança./Deus por causa de seu amor sempre procura Israel para restabelecer sua aliança./A lei de Deus  deverá ser marcada no coração para que Israel consiga ser fiel a Deus.
As múltiplas situações de infidelidade, às exigências do amor de Deus Israel acaba sempre reconhecendo o seu pecado e a necessidade de voltar ao amor do seu Senhor, através da renovação do compromisso anterior .E o Senhor que se manifesta sempre,  que permanece fiel à sua Aliança de amor, através do perdão e da declaração de  novas promessas.
Mensagem: A mensagem do profeta abrange três aspectos de sua existência, partindo de três referências: (a- criação e eleição de um povo -Israel ; b- aliança e dom da Toráh no Sinai; c- realização das promessas feitas aos patriarcas e redenção messiânica e escatológica. Ele se orienta pelo que já existe de revelação de Deus. Portanto, sua mensagem estabelece num contexto de releitura. Ele mostra ao povo que Deus nunca desiste diante da fragilidade humana e sempre voltará a propor nova aliança selada no coração humano. )

CONCLUSÃO
Nesta pesquisa, falar da  história da Aliança é falar das vicissitudes do relacionamento de Israel com o seu Deus da Aliança. Coube aos Profetas a missão de anunciar os males que iriam certamente advir, tanto ao reino do Norte como ao do Sul, coube também a eles, quer já durante o exílio ou logo após, o anúncio de uma futura e prometida "restauração" do povo de Deus. Já que a infidelidade do povo às Alianças, tanta vezes renovadas, fora ocasião de uma quase total destruição, assim também, as promessas da antiga Aliança só poderão agora vir a ser realizadas, para um pequeno resto daquele povo e sob a realidade de uma nova ordem de relacionamento  com Deus, que com maior segurança traria a realização das bênçãos e promessas de Deus. Deus nunca abandonará seu povo,seus eleitos, estará com ele até o fim.
" 1 Mas agora assim diz o Senhor, aquele que o criou, ó Jacó,  aquele que o formou, ó Israel: "Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu. 2 Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas. 3 Pois eu sou o Senhor, o seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador; dou o Egito como resgate para livrá-lo, a Etiópia e Sebá em troca de você. 4 Visto que você é precioso e honrado à minha vista, e porque eu o amo, darei homens em seu lugar, e nações em troca de sua vida. 5 Não tenha medo, pois eu estou com você, do oriente trarei seus filhos e do ocidente ajuntarei você. 6 Direi ao norte: 'Entregue-os!' e ao sul: 'Não os retenha'. De longe tragam os meus filhos, e dos confins da terra as minhas filhas; 7 todo o que é chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha glória, a quem formei e fiz". ( Is 43,1-7)

Referências  Blbliográficas: 
  
-Bíblia de Jerusalém- Edição Pastoral´
 -ttp://bíbliaecatequese.com/os-10-mandamentos-e-ai-vai-encarar/
 -FABRIS, Rinaldo. Problemas E Perspectivas Das Ciências Bíblicas, Ed. Loyola, 1993.
-DOCKERY, David S. Manual bíblico Teologia bíblica do Antigo Testamento. Atibaia: Seminário Bíblico Palavra da Vida, São Paulo: Vida Nova, 2001.
-LASOR, William S., HUBBARD, David A., BUSH, Frederic W. Introdução ao Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 2003.
 -AUTH, Romi. Teologia Bíblica da Aliança - EAD.
-Bíblia Sagrada Edição Pastoral, Paulus
-Textos  e filmes propostos
-Brito, Jacil Rodrigues de “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus.” Teologia da Aliança. São Paulo. Paulinas. 2004
-Texto em PDF: “Releitura da Teologia da Aliança no Primeiro Testamento.”
-Auth, fsp Ir. Romi “Teologia da Aliança.”
-Vídeo “Teologia da Aliança.” Equipe do SAB.
-Viagem pela Bíblia. Primeiro Testamento.
-Bíblias  TEB e Nova Bíblia Pastoral.