Atividade (2): Análise sobre o Matrimônio
1)
A linguagem matrimonial é uma expressão da aliança entre Deus e o seu
povo. Comparar a linguagem esponsal no profeta Oséias, Jeremias e
Ezequiel. Apontar duas semelhanças e duas diferenças.
P.Jeremias:
Jeremias
parece ter participado ativamente na linguagem e no estilo, que retrata o
pensamento da Teologia Deuteronomista. “Escutai as palavras desta
aliança! Vós as direis aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém.
E lhes dirás: Assim disse o Senhor, o Deus de Israel: Maldito o homem
que não escuta as palavras desta aliança , que prescrevi a vossos pais,
no dia em que vos tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro,
dizendo: escutai a minha voz e fazei tudo como vos ordenei; então sereis
meu povo e eu serei vosso Deus, para cumprir o juramente que fiz a
vossos pais de lhes dar uma terra, onde corre leite e mel, como hoje. E
eu respondi: Amém, Senhor. E o Senhor me disse: Proclama todas estas
palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Escutai
as palavras desta aliança e praticai -as. Porque adverti constantemente
os vossos pais, no dia em que vos fiz subir na terra do Egito, e, até
hoje, os adverti dizendo: obedecei-me! Mas eles não escutaram, nem
prestaram atenção; cada qual seguiu a obstinação de seu coração
perverso. Então fiz cair sobre eles todas as palavras desta aliança, que
lhes ordenara que observassem e eles não 0bservaram”(Cf. Jr 11,2-8). A
obediência de Israel é a condição para que se realize a relação de
aliança. A “berît” é uma obrigação que vincula as duas partes, Deus e o
povo. Diante do fracasso da aliança do Sinai/Horeb,o profeta Jeremias
anuncia uma nova aliança em que:‘eu porei minha lei no seu seio e a
escreverei em seu coração. Então, eu serei seu Deus e eles serão o meu
povo’(Jr 31,33). Em que consistirá a novidade desta aliança? Na
iniciativa divina de perdoar os pecados, na responsabilidade e
retribuição individuais e na interiorização da religião: a lei deixará
de ser um escrito exterior, para tornar-se uma inspiração interior, que
nasce no coração humano sob a influência do Espírito de Deus, que dá ao
ser humano um coração novo, capaz de conhecer a Deus. A Torah dada no
Sinai / Horeb não será mais inacessível e distante, mas próxima ao ser
humano, no seu coração e na sua boca. A inscrição da Torah no coração de
cada ser humano, garante a união da vontade de Israel com a vontade de
Deus. A aliança será, por isso, nova porque será feita com um “ser
humano novo”, porque ele a assimilou e a pratica. Não se trata de uma
lei nova, mas de uma nova condição antropológica. É a interiorização da
Torah, que a torna uma nova aliança. É a possibilidade de um contato
direto e imediato do ser humano, com o seu Deus e a sua Torah. A nova
aliança é obra de Deus, é uma promessa incondicional de Deus, expressão
de seu “amor irrevogável” (Jr 31,3). É absoluta bondade e fidelidade do
Senhor que operará a nova aliança, ou seja, fará conhecer a Deus mesmo, e
lhe dará a capacidade de obedecer à vontade de Deus.
P. Ezequiel: Ezequiel um coração de carne.
Se em
Jeremias a novidade da aliança está no fato dela ser inscrita no
coração, Ezequiel avança ainda mais do que Jeremias, dizendo que sim, é
uma nova e eterna aliança, mas Deus trocará o coração de pedra num
coração de carne, movido pelo Espírito do Senhor: “Borrifarei água sobre
vós e ficareis puros; sim, purificar-vos-ei de todas as imundícies e de
todos os vossos ídolos imundos. Dar-vos-ei um coração novo, porei no
vosso íntimo um espírito novo, tirarei do vosso peito um coração de
pedra e vos darei um coração de carne. Porei no vosso íntimo o meu
espírito e farei com que andeis de acordo com os meus estatutos e
guardeis as minhas normas e as pratiqueis. Então, habitareis na terra
que dei a vossos pais:‘sereis meu povo e eu serei vosso Deus’”(Ez
36,25-28). Só pela ação do Espírito Santo é que o ser humano estará
apto, para realizar uma verdadeira renovação interior e, capaz de
observar fielmente as leis divinas.
P. Oséias :
Oséias, o esposo fiel. Em Oséias, a aliança não tem sentido de tratado, como é visto no Deuteronômio. De fato, o termo “ berît” aparece em vários textos de Oséias, mas sem fazer referência à qual aliança. Oséias entende e fala desta aliança, como a relação do Senhor para com o seu povo, e denuncia a ruptura da aliança de Israel, por sua infidelidade (Os 8,1). A aliança, então, consiste na eleição gratuita de Israel pelo Senhor, mas também na dedicação exclusiva de Israel, ao seu Senhor. O profeta Oséias compara a própria relação matrimonial, com a relação do Senhor e Israel. Assim como Oséias permaneceu fiel à sua esposa infiel, o Senhor permanecerá fiel a Israel (sua esposa infiel). De forma simbólica, Oséias descreve esta infidelidade pelos nomes de seus próprios filhos, aos quais, Deus teria pedido para chamá-los de: “Lo-Ammi”, que significa: ‘não meu povo’ (Os1,9) e “Lo-Ruhamah”, que significa: ‘não amada’ (Os 1,6). Mas, o amor de Deus é maior e, por isso, contradirá os nomes que refletem esta infidelidade:“Os filhos de Judá e os israelitas se reunirão...Dizei aos vossos irmãos: ‘Meu povo’ (Ammi), e às vossas irmãs ‘Amada’ (Ruhamah)”(cf. Os 2,2-3). O amor de Deus para com Israel é a razão, o fundamento pelo qual Deus espera de Israel uma resposta de amor.
Oséias, o esposo fiel. Em Oséias, a aliança não tem sentido de tratado, como é visto no Deuteronômio. De fato, o termo “ berît” aparece em vários textos de Oséias, mas sem fazer referência à qual aliança. Oséias entende e fala desta aliança, como a relação do Senhor para com o seu povo, e denuncia a ruptura da aliança de Israel, por sua infidelidade (Os 8,1). A aliança, então, consiste na eleição gratuita de Israel pelo Senhor, mas também na dedicação exclusiva de Israel, ao seu Senhor. O profeta Oséias compara a própria relação matrimonial, com a relação do Senhor e Israel. Assim como Oséias permaneceu fiel à sua esposa infiel, o Senhor permanecerá fiel a Israel (sua esposa infiel). De forma simbólica, Oséias descreve esta infidelidade pelos nomes de seus próprios filhos, aos quais, Deus teria pedido para chamá-los de: “Lo-Ammi”, que significa: ‘não meu povo’ (Os1,9) e “Lo-Ruhamah”, que significa: ‘não amada’ (Os 1,6). Mas, o amor de Deus é maior e, por isso, contradirá os nomes que refletem esta infidelidade:“Os filhos de Judá e os israelitas se reunirão...Dizei aos vossos irmãos: ‘Meu povo’ (Ammi), e às vossas irmãs ‘Amada’ (Ruhamah)”(cf. Os 2,2-3). O amor de Deus para com Israel é a razão, o fundamento pelo qual Deus espera de Israel uma resposta de amor.
2)
Há alguma semelhança ou diferença entre o filme “Prova de Fogo”, e os
textos proféticos nos símbolos, sobretudo, o “símbolo matrimonial” da
Teologia da Aliança? Que sinais, gestos, atitudes ou fatos, o ator
(esposo) utilizou para reatar a aliança com sua esposa? Justifique.
Á Prova
de Fogo é um filme que traz uma lição de vida, conta a história de um
casal em crise. Caleb é considerado um excelente bombeiro, se dedica
muito a seu trabalho, e acaba esquecendo que sua esposa Catherine
necessita de atenção. Abrange vários aspectos que nos fazem refletir em
nossas vidas sobre o nosso posicionamento diante das adversidades com o
próximo, e de como solucionar nossos problemas e ajudar as pessoas
diante das situações difíceis da vida. Caleb era o capitão de uma
companhia de bombeiros e tinha um imenso amor pela sua profissão, tendo
como lema 'Nunca abandone seu parceiro principalmente no incêndio", e
então buscava sempre concluir seu trabalho com excelência. Além da sua
grande dedicação ao trabalho, ele também sustentava um grande vicio do
uso da internet. Anos se passaram, e Caleb não percebeu o quanto era
egoísta, e não enxergava que tudo isso estava prejudicando seu
relacionamento com sua esposa, o que fez com que ela se cansasse e
começasse a reclamar pela sua ambição pelas coisas materiais , a sua
falta de atenção a ela, e a falta de fé em Deus. Com isso as discussões
entre o casal ficavam a cada dia mais intensas e Catherine resolveu
pedir o divorcio. A partir daí Caleb começa a receber conselhos de um
colega de trabalho, mas insiste que seu casamento acabou. Caleb procura
seu pai que lhe oferece uma ajuda, um guia que ele teria que segui
durante 40 dias, o mesmo que salvou seu casamento há muitos anos. Caleb
acaba aceitando o desafio mesmo não tendo convicção nenhuma que um
relacionamento com Deus poderia salvar seu casamento. Com o passar dos
dias ele se sentia mais irritado, já que não colhia nenhum resultado
positivo, chegando até a querer desistir, e após uma conversa com seu
pai ele aprende que é necessário primeiramente amar a Deus sobre todas
as coisas, e então passou a superar seus vícios, e a cumprir seu guia
com fé. Os 40 dias se passaram e Caleb não desistiu, ao chegar no 43º
dia, Catherine adoece, ele conta a ela seu relacionamento com Deus e a
pede perdão, Catherine descobre o desafio do amor, mas mesmo assim ela
resiste e não o perdoa de inicio. Ela acaba por reconhecer que também
comentou falhas e o perdoa. E felizmente o casamento é reestruturado.
Nas
escrituras, diz-se que, ao constituir, fazer aliança com o povo, o
Senhor pede fidelidade e obediência aos seus mandamentos, Ele é ciumento
e não deseja que ídolos falsos tomem o seu lugar. Da parte de Deus, a
aliança sempre se manterá firme , será garantida porque o autor(Deus) é
fiel. Porém, da parte humana, pode haver ruptura. Contudo, Deus refaz a
aliança se houver da parte de seus filhos arrependimento, obediência e
mudança de rota. Sendo assim, Deus estará aí com seu amor, perdão e
acolhimento. Como exemplo cito um trecho da aliança com Moisés e o povo
no Sinai: Ao longo das escrituras, do Gn ao Apoc. Deus vai estabelecendo
sua aliança com seu povo, mesmo sabendo que ela poderá ser rompida pela
parte humana. Na aliança com Moisés, a renovação como Josué conta no
texto bíblico, que Moisés e os fugitivos do Egito, ou membros do
êxodo-fuga teriam passado e chegado ao deserto do Sinai/ Horeb. Ali Deus
propõe a sua aliança: “Agora,
se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim
uma propriedade peculiar entre todos os povos, porque toda a terra é
minha. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes, uma nação santa”.(Ex19,5-6).
Na conclusão desta Aliança, o povo assume o compromisso de fidelidade:
Moisés “tomou o livro da Aliança, leu para o povo; e eles disseram:
‘tudo o que o Senhor falou, nós o faremos e obedeceremos’. Moisés tomou o
sangue e o aspergiu sobre o povo e disse:‘este é o sangue da aliança
que o Senhor fez convosco, através de todas essas cláusulas’”(Ex
24,7-8). Depois, Moisés, Aarão, Nadab, Abiu e os setenta anciãos de
Israel, “viram o Deus de Israel sobre a montanha e selaram esta aliança
com um banquete, pois, comeram e beberam”(Ex 24,1).
No filme,
Prova de Fogo, Caleb, quebra e trai a aliança com Deus em seu
matrimônio com sua esposa, trilhando caminhos tortuosos e perigosos.
No
matrimônio, o sim dado a Deus no altar, é o selo da aliança dos cônjuges
com o Senhor, e Ele é testemunha fiel desta aliança, embora, nem sempre
os casais permanecem fiel a aliança, quebrando-a, claro, toda regra há
exceção.
No
momento em que sua esposa(Catherine) pede o divórcio, ele percebe o
quanto tem sido egoísta e pede ajuda, mas ainda meio descrente. Ao
dirigir-se ao seu pai, pedindo ajuda, que também sofreu problema
semelhantes, ele recebe do pai um "manual" de instruções de como
reconquistar e cultivar seu amor pela esposa. Então tudo muda a partir
daí. Muda porque é a palavra de Deus que o guia.
Nota-se
semelhança, no fato de ter um matrimônio, aliança feita com Deus no
altar, manual de instruções- a palavra, depois ocorre infidelidades e a
aliança é rompida por parte humana. Mas, sabe-se que Deus se mantém
fiel. Seguindo o manual de instruções dado por seu pai, ele lança mãos
de boas atitudes e gestos concretos de amor, servidão, ternura,
solicitude, atenção, carinho entre outros, para reatar sua aliança de
amor com Catherine. Neste caminho de instruções, acontece uma mudança
interior no coração de Caleb e de sua esposa também; palavras santas,
doces, inspiradoras, fortalecedoras e instrutivas aprendidas do
"manual" são lançadas para reatar seu casamento. Daí surge
arrependimento, mudança de vida seguida de retorno a Deus,ao seu
coração, suas Leis e à sua aliança(matrimônio) com Catherine. Ao final,
tudo se estabelece e a paz e harmonia estão de volta ao lar dos dois.
Aliança estabelecida com seu Senhor e esposa.
Questão 3: Faça
uma pequena conclusão crítica-dissertativa, enfim, emita o seu parecer,
a sua opinião: Em que este estudo, pode ajudar na reflexão e na
prática, sobretudo, da vida conjugal ou matrimonial hoje, no foco da
Teologia bíblica da Aliança?
Sem
dúvida, a leitura que fiz dos textos das escrituras, com foco em
teologia da Aliança, foi e está sendo enriquecedor, esclarecedor e de
uma ternura imensa ao perceber que em todas as situações da minha vida, o
Senhor está sempre a estabelecer uma aliança de amor comigo. Sobretudo
em meu matrimônio com meu esposo Sandro. Hoje, mais claramente estudando
teologia, vejo a mão salvadora e libertadora de Deus, quando em
14-12-2002, por livre arbítrio meu e do meu esposo, dissemos sim ao
plano do Senhor para nós, e então, Deus estabeleceu uma aliança eterna
de salvação conosco. Obviamente, que nestes quase 14 anos, muitas vezes
fui infiel à minha aliança com Deus. Infiel quando amei menos, servi com
má vontade, não fui solícita, usei de más palavras, ofendi, critiquei,
duvidei dos cuidados, providência e amor de Deus, entre outros. Contudo,
em se tratando do amor cuidador de Pai, a paciência que emana do seu
coração e perdão, me trouxeram de volta para a casa do seu coração e de
sua normas salvadoras. Portanto quando leio as seguintes palavras:
Êxodo 19,5
“Agora, se ouvirdes a minha voz e obedecerdes à minha aliança, sereis como meu tesouro pessoal dentre todas as nações, ainda que toda a terra seja minha propriedade”.
Êxodo 19,6
“Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’. Estas são as palavras que dirás aos filhos de Israel”.
Levítico 26,12
“Estarei no meio de vós, serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo”.
“Agora, se ouvirdes a minha voz e obedecerdes à minha aliança, sereis como meu tesouro pessoal dentre todas as nações, ainda que toda a terra seja minha propriedade”.
Êxodo 19,6
“Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’. Estas são as palavras que dirás aos filhos de Israel”.
Levítico 26,12
“Estarei no meio de vós, serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo”.
Jeremias 31,33
“Eis, no entanto, a Aliança que celebrarei com a comunidade de Israel passados aqueles dias”, afirma o SENHOR: “Registrarei o conteúdo da minha Toráh Lei, na mente deles e a escreverei no mais íntimo dos seus sentimentos: seus corações. Assim, serei de fato o Deus deles e eles serão o meu povo”.
“Eis, no entanto, a Aliança que celebrarei com a comunidade de Israel passados aqueles dias”, afirma o SENHOR: “Registrarei o conteúdo da minha Toráh Lei, na mente deles e a escreverei no mais íntimo dos seus sentimentos: seus corações. Assim, serei de fato o Deus deles e eles serão o meu povo”.
Me
conscientizo de que elas são a expressões consagradas da eleição e da
aliança divinas, esta aliança implica: declarar que ele será meu Deus, e
que se eu andar em seus caminhos, observando seus estatutos, seus
mandamentos e suas normas, obedecendo à sua voz serei abençoada e sua
mão estará em meu favor; o Senhor declara que eu serei sua pertença,
seu povo.
Reafirmo
que, por minha aliança, estou ligada ao Senhor e sei que sou
propriedade dele, como o Senhor está ligado a mim. Ele é o meu Deus.
Se não for fiel e não respeitar a suas normas e preceitos, também o
Senhor estará livre de seu compromisso comigo.
Esta
aliança / pacto é pura graça e dom de Deus, que se doa a cada ser
humano,e que sempre contará com uma Resposta pessoal e comunitária, que
seja livre, responsável, gratuita e consciente : “eu sou vosso(a)
eleito / eleita e faço parte do vosso povo , e Vós sois o nosso, o meu
Deus”.
Neste
sentido, ampliando um pouco mais a visão, a Teologia da aliança é de
grande atualidade, pois nos faz “viver já aqui e agora”, a proposta do
amor gratuito de Deus por nós mesmos, para com Ele, com o próximo e com
o universo criado. Ouso dizer que: a Aliança do Senhor para com o seu
povo, é uma rede de amor, que ao longo de dois mil anos vai enredando
todos aqueles que de livre arbítrio e coração bem disposto a aceitar e
acolher seu amor, perdão, ternura, normas e preceitos, caminharão com
Ele, e por certo Ele será o Pastor deste povo, seu Senhor e cuidador, e o
povo sua pertença para sempre.
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