"Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.
Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores;
Pois conheço as suas angústias.
Por isso desci a fim de libertá-los da mão dos egípcios,
e para fazê-lo subir desta terra
para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel".

Êxodo 3,7-8

sábado, 8 de outubro de 2016

Atividade (2): Análise sobre o Matrimônio


1) A linguagem matrimonial é uma expressão da aliança entre Deus e o seu povo. Comparar a linguagem esponsal no profeta Oséias, Jeremias e Ezequiel. Apontar duas semelhanças e duas diferenças.
P.Jeremias:
Jeremias parece ter participado ativamente na linguagem e no estilo, que retrata o pensamento da Teologia Deuteronomista. “Escutai as palavras desta aliança! Vós as direis aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém. E lhes dirás: Assim disse o Senhor, o Deus de Israel: Maldito o homem que não escuta as palavras desta aliança , que prescrevi a vossos pais, no dia em que vos tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: escutai a minha voz e fazei tudo como vos ordenei; então sereis meu povo e eu serei vosso Deus, para cumprir o juramente que  fiz a vossos pais de lhes dar uma terra, onde corre leite e mel, como hoje. E eu respondi: Amém, Senhor. E o Senhor me disse: Proclama todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Escutai as palavras desta aliança e praticai -as. Porque adverti constantemente os vossos pais, no dia em que vos fiz subir na terra do Egito, e, até hoje, os adverti dizendo: obedecei-me! Mas eles não escutaram, nem prestaram atenção; cada qual seguiu a obstinação de seu coração perverso. Então fiz cair sobre eles todas as palavras desta aliança, que lhes ordenara que observassem e eles não 0bservaram”(Cf. Jr 11,2-8).  A obediência de Israel é a condição para que se realize a relação de aliança. A “berît” é uma obrigação que vincula as duas partes, Deus e o povo. Diante do fracasso da aliança do Sinai/Horeb,o profeta Jeremias anuncia uma nova aliança em que:‘eu porei minha lei no seu seio e a escreverei em seu coração. Então, eu serei seu Deus e eles serão o meu povo’(Jr 31,33). Em que consistirá a novidade desta aliança? Na iniciativa divina de perdoar os pecados, na responsabilidade e retribuição individuais e na interiorização da religião: a lei deixará de ser um escrito exterior, para tornar-se uma inspiração interior, que nasce no coração humano sob a influência do Espírito de Deus, que dá ao ser humano um coração novo, capaz de conhecer a Deus. A Torah dada no Sinai / Horeb não será mais inacessível e distante, mas próxima ao ser  humano, no seu coração e na sua boca. A inscrição da Torah no coração de cada ser humano, garante a união da vontade de Israel com a vontade de Deus. A aliança será, por isso, nova porque será feita com um “ser humano novo”, porque ele a assimilou e a pratica. Não se trata de uma lei nova, mas de uma nova condição antropológica. É a interiorização da Torah, que a torna uma nova aliança. É a possibilidade de um contato direto e imediato do ser humano, com o seu Deus e a sua Torah. A nova aliança é obra de Deus, é uma promessa incondicional de Deus, expressão de seu “amor irrevogável” (Jr 31,3). É absoluta bondade e fidelidade do Senhor que operará a nova aliança, ou seja, fará conhecer a Deus mesmo, e lhe dará a capacidade de obedecer à vontade de Deus.

P. Ezequiel: Ezequiel um coração de carne.
Se em Jeremias a novidade da aliança está no fato dela ser inscrita no coração, Ezequiel avança ainda mais do que Jeremias, dizendo que sim, é uma nova e eterna aliança, mas Deus trocará o coração de pedra num coração de carne, movido pelo Espírito do Senhor: “Borrifarei água sobre vós e ficareis puros; sim, purificar-vos-ei de todas as imundícies e de todos os vossos ídolos imundos. Dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo um espírito novo, tirarei do vosso peito um coração de pedra e vos darei um coração de carne. Porei no vosso íntimo o meu espírito e farei com que andeis de acordo com os meus estatutos e guardeis as minhas normas e as pratiqueis. Então, habitareis na terra que dei a vossos pais:‘sereis meu povo e eu serei vosso Deus’”(Ez 36,25-28). Só pela ação do Espírito Santo é que o ser humano estará apto, para realizar uma verdadeira renovação interior e, capaz de observar fielmente as leis divinas.

 P. Oséias :
 Oséias, o esposo fiel. Em Oséias, a aliança não tem sentido de tratado, como é visto no Deuteronômio. De fato, o termo “ berît” aparece em vários textos de Oséias, mas sem fazer referência à qual aliança. Oséias entende e fala desta aliança, como a relação do Senhor para com o seu povo, e denuncia a ruptura da aliança de Israel, por sua infidelidade (Os 8,1). A aliança, então, consiste na eleição gratuita de Israel pelo Senhor, mas também na dedicação exclusiva de Israel, ao seu Senhor. O profeta Oséias compara a própria relação matrimonial, com a relação do Senhor e Israel. Assim como Oséias permaneceu fiel à sua esposa infiel, o Senhor permanecerá fiel a Israel (sua esposa infiel). De forma simbólica, Oséias descreve esta infidelidade pelos nomes de seus próprios filhos, aos quais, Deus teria pedido para chamá-los de: “Lo-Ammi”, que significa: ‘não meu povo’ (Os1,9) e “Lo-Ruhamah”, que significa: ‘não amada’ (Os 1,6). Mas, o amor de Deus é maior e, por isso, contradirá os nomes que refletem esta infidelidade:“Os filhos de Judá e os israelitas se reunirão...Dizei aos vossos irmãos: ‘Meu povo’ (Ammi), e às vossas irmãs ‘Amada’ (Ruhamah)”(cf. Os 2,2-3). O amor de Deus para com Israel é a razão, o fundamento pelo qual Deus espera de Israel uma resposta de amor. 


2) Há alguma semelhança ou diferença entre o filme “Prova de Fogo”, e os textos proféticos nos símbolos, sobretudo, o “símbolo matrimonial” da Teologia da Aliança? Que sinais, gestos, atitudes ou fatos, o ator (esposo) utilizou para reatar a aliança com sua esposa? Justifique.

 Á Prova de Fogo é um filme que traz uma lição de vida, conta a história de um casal em crise. Caleb é considerado um excelente bombeiro, se dedica muito a seu trabalho, e acaba esquecendo que sua esposa Catherine necessita de atenção. Abrange vários aspectos que nos fazem refletir em nossas vidas sobre o nosso posicionamento diante das adversidades com o próximo, e de como solucionar nossos problemas e ajudar as pessoas diante das situações difíceis da vida. Caleb era o capitão de uma companhia de bombeiros e tinha um imenso amor pela sua profissão, tendo como lema 'Nunca abandone seu parceiro principalmente no incêndio", e então buscava sempre concluir seu trabalho com excelência. Além da sua grande dedicação ao trabalho, ele também sustentava um grande vicio do uso da internet. Anos se passaram, e Caleb não percebeu o quanto era egoísta, e não enxergava que tudo isso estava prejudicando seu relacionamento com sua esposa, o que fez com que ela se cansasse e começasse a reclamar pela sua ambição pelas coisas materiais , a sua falta de atenção a ela, e a falta de fé em Deus. Com isso as discussões entre o casal ficavam a cada dia mais intensas e Catherine resolveu pedir o divorcio. A partir daí Caleb começa a receber conselhos de um colega de trabalho, mas insiste que seu casamento acabou. Caleb procura seu pai que lhe oferece uma ajuda, um guia que ele teria que segui durante 40 dias, o mesmo que salvou seu casamento há muitos  anos. Caleb acaba aceitando o desafio mesmo não tendo convicção nenhuma que um relacionamento com Deus poderia salvar seu casamento. Com o passar dos dias ele se sentia mais irritado, já que não colhia nenhum resultado positivo, chegando até a querer desistir, e após uma conversa com seu pai ele aprende que é necessário primeiramente amar a Deus sobre todas as coisas, e então passou a superar seus vícios, e a cumprir seu guia com fé. Os 40 dias se passaram e Caleb não desistiu, ao chegar no 43º dia, Catherine adoece, ele conta a ela seu relacionamento com Deus e a pede perdão, Catherine descobre o desafio do amor, mas mesmo assim ela resiste e não o perdoa de inicio. Ela acaba por reconhecer que também comentou falhas e o perdoa. E felizmente o casamento é reestruturado.

Nas escrituras, diz-se que,  ao constituir, fazer aliança com o povo, o Senhor pede fidelidade e obediência aos seus mandamentos, Ele é ciumento e não deseja que ídolos falsos tomem o seu lugar.  Da parte de Deus, a aliança sempre se manterá firme , será garantida porque o autor(Deus)   é fiel. Porém, da parte humana, pode haver ruptura. Contudo, Deus refaz a aliança se houver da parte de seus filhos arrependimento, obediência  e mudança de rota. Sendo assim, Deus estará aí com seu amor, perdão e acolhimento. Como exemplo cito um trecho da aliança com Moisés e o povo no Sinai: Ao longo das escrituras, do Gn ao Apoc. Deus vai estabelecendo sua aliança com seu povo, mesmo sabendo que ela poderá ser rompida pela parte humana. Na aliança com Moisés, a renovação como Josué conta no texto bíblico, que Moisés e os fugitivos do Egito, ou membros do êxodo-fuga teriam passado e chegado ao deserto do Sinai/ Horeb. Ali Deus propõe a sua aliança: “Agora, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim uma propriedade peculiar entre todos os povos, porque toda a terra é minha. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes, uma nação santa”.(Ex19,5-6). Na conclusão desta Aliança, o povo assume o compromisso de fidelidade: Moisés “tomou o livro da Aliança, leu para o povo; e eles disseram: ‘tudo o que o Senhor falou, nós o faremos e obedeceremos’. Moisés tomou o sangue e o aspergiu sobre o povo e disse:‘este é o sangue da aliança que o Senhor fez convosco, através de todas essas cláusulas’”(Ex 24,7-8). Depois, Moisés, Aarão, Nadab, Abiu e os setenta anciãos de Israel, “viram o Deus de Israel sobre a montanha e selaram esta aliança com um banquete, pois, comeram e beberam”(Ex 24,1).
 No filme, Prova de Fogo, Caleb, quebra e trai  a  aliança com Deus em seu matrimônio com sua esposa, trilhando caminhos tortuosos e perigosos. 
No matrimônio, o sim dado a Deus no altar, é o selo da aliança dos cônjuges com o Senhor, e Ele é testemunha fiel desta aliança, embora, nem sempre os casais permanecem fiel a aliança, quebrando-a, claro,  toda regra há exceção.
 No momento em que sua esposa(Catherine) pede o divórcio, ele percebe o quanto tem sido egoísta e pede ajuda, mas ainda meio descrente. Ao dirigir-se ao seu pai, pedindo ajuda, que também sofreu problema semelhantes, ele recebe  do pai um "manual" de instruções de como reconquistar e cultivar seu amor pela esposa. Então tudo muda a partir daí. Muda porque é a palavra de Deus que o guia.
Nota-se semelhança, no fato de ter um matrimônio, aliança feita com Deus no altar, manual de instruções- a palavra, depois ocorre infidelidades e a aliança é rompida por parte humana. Mas, sabe-se que  Deus se mantém fiel. Seguindo o manual de instruções dado por seu pai, ele lança mãos de boas atitudes e gestos concretos de amor, servidão, ternura, solicitude, atenção, carinho entre outros, para reatar sua aliança de amor com Catherine. Neste caminho de instruções, acontece uma mudança interior no coração de Caleb e de sua esposa também; palavras santas, doces, inspiradoras,  fortalecedoras e  instrutivas aprendidas  do "manual" são lançadas  para reatar seu casamento. Daí surge  arrependimento, mudança de vida  seguida de retorno a Deus,ao seu coração, suas Leis  e à sua aliança(matrimônio) com Catherine. Ao final, tudo se estabelece e a paz e harmonia estão de volta ao lar dos dois. Aliança estabelecida com seu Senhor e esposa.


Questão 3: Faça uma pequena conclusão crítica-dissertativa, enfim, emita o seu parecer, a sua opinião: Em que este estudo, pode ajudar na reflexão e na prática, sobretudo, da vida conjugal ou matrimonial hoje, no foco da Teologia bíblica da Aliança?

Sem dúvida, a leitura que fiz dos textos das escrituras, com foco em teologia da Aliança, foi e está sendo enriquecedor, esclarecedor e de uma ternura imensa ao perceber que em todas as situações da minha vida, o Senhor está sempre a estabelecer uma aliança de amor comigo. Sobretudo em meu matrimônio com meu esposo Sandro. Hoje, mais claramente estudando teologia, vejo a mão salvadora  e libertadora de Deus, quando em 14-12-2002, por livre arbítrio meu e do meu esposo, dissemos sim ao plano do Senhor para nós, e então,  Deus estabeleceu uma aliança eterna de salvação conosco. Obviamente, que nestes quase 14 anos, muitas vezes fui infiel à minha aliança com Deus. Infiel quando amei menos, servi com má vontade, não fui solícita, usei de más palavras, ofendi, critiquei, duvidei dos cuidados, providência e amor de Deus, entre outros. Contudo, em se tratando do amor cuidador de Pai, a paciência que emana do seu coração e  perdão, me trouxeram de volta para a casa do seu coração e de sua normas salvadoras. Portanto quando leio as  seguintes palavras:
Êxodo 19,5
“Agora, se ouvirdes a minha voz e obedecerdes à minha aliança, sereis como meu tesouro pessoal dentre todas as nações, ainda que toda a terra seja minha propriedade”.

Êxodo 19,6
“Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’. Estas são as palavras que dirás aos filhos de Israel”.

Levítico 26,12
“Estarei no meio de vós, serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo”.

Jeremias 31,33
“Eis, no entanto, a Aliança que celebrarei com a comunidade de Israel passados aqueles dias”, afirma o SENHOR: “Registrarei o conteúdo da minha Toráh Lei, na mente deles e a escreverei no mais íntimo dos seus sentimentos: seus corações. Assim, serei de fato o Deus deles e eles serão o meu povo”.
Me conscientizo de que elas são a expressões  consagradas da eleição e da aliança divinas, esta aliança implica: declarar que ele será meu Deus, e que se eu andar em seus caminhos, observando seus estatutos, seus mandamentos e suas normas, obedecendo à sua voz serei abençoada e sua  mão  estará em meu favor; o Senhor  declara que  eu serei sua pertença,  seu povo.
Reafirmo que, por minha aliança, estou  ligada ao Senhor e  sei que  sou  propriedade dele, como o Senhor está ligado a mim.  Ele é o meu  Deus. Se  não for fiel e não respeitar a suas normas e preceitos, também o Senhor estará livre de seu compromisso comigo.
 Esta aliança / pacto é pura graça e dom de Deus, que se doa a cada ser humano,e que sempre contará com uma Resposta pessoal e  comunitária, que seja livre, responsável, gratuita e  consciente : “eu sou vosso(a) eleito / eleita e faço parte do vosso povo , e Vós sois o nosso, o meu  Deus”.
Neste sentido, ampliando um pouco mais  a visão, a Teologia da aliança é de grande atualidade, pois nos faz “viver já aqui e agora”, a proposta do amor gratuito de Deus por nós mesmos, para com Ele,  com o próximo e com o universo criado. Ouso dizer que: a Aliança do Senhor para com o seu povo, é uma rede de amor, que ao longo de dois mil anos  vai enredando todos aqueles que de livre arbítrio e coração bem  disposto a aceitar e acolher seu amor, perdão, ternura, normas e preceitos, caminharão com Ele, e por certo Ele será o Pastor deste povo, seu Senhor e cuidador, e o povo sua pertença para sempre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário