"Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.
Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores;
Pois conheço as suas angústias.
Por isso desci a fim de libertá-los da mão dos egípcios,
e para fazê-lo subir desta terra
para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel".

Êxodo 3,7-8

quinta-feira, 23 de junho de 2016


Atividade (1): Fundamento do Êxodo

1. Nos anos 1960 a 1980, observarmos no Brasil o fenômeno do “Êxodo Rural”, ou seja, a saída do campo para as grandes cidades, especialmente da região Nordeste para o Sudeste. Apontar outros êxodos que você conhece com indicação das causas. Citar textos bíblicos sobre o Êxodo do Povo de Israel. Comparar as duas experiências e ressaltar se há algo em comum entre elas.Dica: Leia o Artigo: "Por que há tão poucas evidências históricas do Êxodo?" da Revista Superinteressante clique aqui!). 


       O  Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR OU UNHCR, na sigla inglesa) estimava  que houvessem, em setembro do ano passado, cerca de 1,35 milhões de sírios na Turquia, dos quais 847.226 estariam registados neste país vizinho como refugiados.
Num recente comunicado divulgado esta semana, o mesmo organismo da ONU estima haver mais de 4 milhões de refugiados sírios registrados em países vizinhos como a Jordânia (630 mil), o Líbano (1,11 milhões , o Iraque (250 mil) ou o Egito 132 mil). Só na Turquia já estarão quase 2 milhões de refugiados sírios, o que reflete um aumento na ordem dos 33 por cento apenas no espaço de um ano. Muitos deles, estarão em rota para o centro e o norte da União Europeia. 
A fronteira entre a Turquia e a Síria estende-se por cerca de 950 quilómetros. Não existem barreiras naturais como rios ou montanhas.. Milhares de refugiados fogem  da  Síria para a Turquia em fuga da guerra e da perseguição por "jihadistas". A pé, muitos seguem  desde a cidades Jarabulus, Karkamis , mas há armadilhas mortais escondidas. O perigo obriga os que fogem da guerra na Síria a procurar outros pontos para entrar na Turquia, a primeira fronteira das muitas que os  refugiados sírios terão pela frente até chegar ao ambicionado “el dorado” europeu. Depois da Turquia, segue-se o Mediterrâneo, rumo à Grécia, depois a Macedônia, a Sérvia e a Hungria.
Muitas  famílias  vivem junto à fronteira, no lado turco. A casa onde habitam  acolhem dezenas de refugiados sírios. Comentário de uma família:“Nós somos afetados de forma direta pelos acontecimentos na Síria. Os que fogem são seres humanos. São pessoas exatamente como nós. Fogem com os filhos da crueldade do regime sírio. Têm medo dos soldados na fronteira e quando arriscam atravessar o arame farpado, as roupas rasgam-se, perdem os sapatos”, conta Ali Ylmaz ao enviado especial da Euronews a Karkamis, Bora Bayraktar. Em meio a tantas violências, luta por terras, egoísmos, gana  por poder/dinheiro e dominar o mundo, os mais fragilizados e empobrecidos realizam seu êxodo. Saem de sua terra natal rumo a outras terras desconhecidas, levam suas famílías, correm perigo de morte para tentar uma vida melhor   em outro país. Fogem, porque não podem mais viver em seu país de origem devido às guerras, gana por  dinheiro e poder. Não podem viver sua fé, porque o inimigo quer fazer prevalecer seus ideais de morte. Por isso, fica impossível viver onde nasceram e têm que caminhar para terras longínquas em busca de uma nova vida p suas famílias. Esse é o drama, o “êxodo” de muitos refugiados Sírios, em pleno  séc. XXI. Comparando esta situação dos refugiados com o êxodo no passado, não difere em nada, difere apenas o fator cronológico, ou seja estamos a mais de dois mil anos do êxodo de Moisés mais ou menos, em plena época da modernidade, e a história se repete. Poderia citar muitos êxodos do passado, porém vou me ater ao êxodo de Moisés no  livro do( êxodo 14, 1-14) - (Êxodo como fuga). O Faraó com o coração endurecido pelo Deus de Israel, persegue o povo a caminho do mar vermelho com seus carros e cavaleiros numa tentativa de aniquilar os israelitas. Deus, em sua grandeza e cuidado, defende seus filhos da escravidão e os livra da tirania do rei do Egito.  Os israelitas, partem para a terra prometida, saem da escravidão para tentarem uma vida em abundância em Canaã. Muitos perigos ainda enfrentarão,mas o Senhor os acompanha com milagres e prodígios providenciando o que lhes for necessário. A diferença  do “êxodo” dos refugiados é que os israelitas partem de terra estrangeira, Egito, para a terra que o  Senhor lhes prometeu-Canaã. Os refugiados, saem de sua terra natal, fugindo das guerras para outros países em busca de uma vida melhor que a que estavam vivendo devido à perseguição do inimigo- "jihadistas".   Nos dois êxodos percebe-se a tirania, domínio, escravidão, predomina as ideologias contrárias a vida cotidiana e  de fé do povo, em seu jeito de ser e viver a vida; exploração em todos os  sentidos da vida humana. 
 2. A partir das leituras propostas (SILVA, Valmor da. Deus ouve o clamor do povo - Teologia do Êxodo. São Paulo: Paulinas, 2004.páginas 01-46 e o Texto PDF: AUTH, Romi. Fundamento Histórico do Êxodo) porque podemos considerar o Êxodo como um fato histórico? Justifique a sua resposta a partir dos textos bíblicos propostos nestas leituras.

O êxodo é o evento fundante de Israel. Quer dizer que o povo de deus foi fundado sobre tal acontecimento. O êxodo para Israel seria como   o "grito de independência" para nós brasileiros O povo da bíblia guardou  na memória aquela passagem do mar vermelho como a ação de Deus em favor do seu  povo; e interpretou os fatos acerca da passagem como a vontade de Deus a fim de que se tornasse uma nação forte. O êxodo permaneceu como modelo para diversos momentos da história. Cada saída, tem como referência o primeiro êxodo. Com o passar do tempo passou a fazer parte da profissão de fé da nação, como se lê no Credo Histórico Dt 26,5-10. Recordado pelos profetas e tornou-se uma convicção nacional. A Páscoa- festa principal do povo israelita, centra-se na experiência do êxodo.Torna-se motivo de esperança, na certeza de que deus estará sempre pronto a intervir em favor dos seus filhos. Com isso o êxodo passa a ser mais que acontecimento histórico, e sim, uma realidade teológica. Lembrando que a experiência de libertação do êxodos conta a libertação do povo de Deus do Faraó; sendo uma realidade que se encontra na bíblia em começo, meio e fim. essa experiência(êxodo) é como uma agulha que vai tecendo seus pontos, fio a fio,do início ao fim na bíblia. E essa experiência de libertação, permaneceu para sempre na memória  de Israel, e cresceu à medida que o povo crescia. Guarda muitos sentidos que se renovam com o passar dos tempos,em outras experiências de libertação de outros povos. essa experiência é uma riqueza que nunca se esgota, e perpassa todos os tempos da história da humanidade, e rica de significados.  Israel percebeu a mão libertadora do seu Deus, de um Deus único, de um Deus cuidador, que ama os seus filhos apesar de...e os quer livres. Toda história humana é regida por Deus, e os acontecimentos permitidos por Ele.Toda experiência de libertação do povo de Deus, contada no livro do êxodo, em qualquer hipótese que tenha acontecido, tudo é poder de Deus. A moderna historiografia reconhece que, na origem de tudo, existe um núcleo histórico em torno das narrativas do êxodo; se não fosse isso Israel não teria guardado na memória sua história para ser contada e reconhecida através dos séculos futuros. Ninguém gosta de contar fatos  vergonhosos de sua própria história, ainda mais um povo nacionalista e orgulhoso como Israel. Se eles recordam a escravidão do Egito é porque ela foi concreta, palpável, real: " Ele nos tirou do Egito com sua mão forte e poderosa..."
A narrativa bíblica não tem intenção de narrar sua história e sim transmitir o testemunho de fé. A narrativa atual foi enriquecida com memória e fé, a soma de novas experiências, enfim, com intenção teológica. Daí a dificuldade de dizer o que é história e o que é teologia. Entre todos os grupos com experiência de libertação, o que mais se destacou foi o de Moisés. Essa experiência de libertação do Egito, foi a principal referência para todos os outros que se consideravam libertos. Enfim muitos êxodos estão na origem da história de Israel. Vários grupos que  viveram  seu êxodo, muitas das experiências passada animaram suas vidas, dando um novo sentido para continuar.  Enfim, os vários êxodos do nosso tempo são atualíssimos. a escravidão hoje continua... Esse Deus é o Goel, Deus dos pequenos, Deus libertador. Eu Sou...está aqui e agora conosco. Ele é o Deus da vida, e  vida em abundância.






Data: 20-06-16

Leitura Orante da Palavra – Citação: Êxodos 1,8-2,10

1° passo – Leitura
O que o texto diz?Subiu então ao trono do Egito um novo rei que não conhecera José. E ele disse ao seu povo: «Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e poderoso do que nós. Temos de proceder astuciosamente contra ele, a fim de impedirmos que se desenvolva ainda mais. Em caso de guerra, juntar-se-ia também aos nossos inimigos, lutaria contra nós, e sairia deste país.» Impuseram-lhe então chefes de trabalhos forçados para o oprimirem com carregamentos. E construiu para o faraó as cidades-armazém de Pitom e Ramessés. Todavia, quanto mais oprimiam, mais ele se multiplicava e aumentava; e os egípcios estavam preocupados com os filhos de Israel, e reduziram-nos a uma dura servidão. Tornaram-lhes a vida amarga com uma pesada servidão: barro, tijolos, toda a espécie de trabalhos no campo, tudo uma dura servidão. O rei do Egito disse às parteiras dos hebreus, das quais uma se chamava Chifra e outra Pua: «Quando assistirdes aos partos das mulheres dos hebreus, reparai na criança: se for um menino, matai-o; se for uma menina, deixai-a viver.» Mas as parteiras temeram a Deus: não fizeram como lhes tinha falado o rei do Egito, e deixaram viver os meninos. Então, o rei do Egito chamou-as e disse-lhes: «Porque fizestes dessa maneira e deixastes viver os meninos?» As parteiras disseram ao faraó: «As mulheres dos hebreus não são como as egípcias; elas são fortes: antes de chegar a parteira, já elas deram à luz.» Deus retribuiu o bem às parteiras, e o povo multiplicou-se e tornou-se muito poderoso. Como as parteiras temeram a Deus, e Ele lhes concedeu uma descendência, o faraó ordenou a todo o seu povo: «Atirai ao rio os meninos recém-nascidos; as meninas, porém, deixai-as viver todas.» Um homem da casa de Levi tomou por esposa uma filha de Levi. A mulher concebeu e deu à luz um filho. Viu que era belo, e escondeu-o durante três meses. Não podendo mantê-lo escondido por mais tempo, arranjou-lhe uma cesta de papiro, calafetou-a com betume e pez, colocou nela o menino, e foi pô-la nos juncos da margem do rio. A irmã dele colocou-se a uma certa distância para saber o que lhe sucederia. Ora a filha do faraó desceu ao rio para tomar banho, enquanto as suas jovens acompanhantes caminhavam ao longo do rio. Viu a cesta no meio dos juncos e enviou a sua serva para a trazer. Abriu-a e viu a criança: era um menino que chorava. Compadeceu-se dele e disse: «Este é um dos filhos dos hebreus.» Então a irmã dele disse à filha do faraó: «Queres que te vá chamar uma ama entre as mulheres dos hebreus, para te amamentar o menino?» «Vai», disse-lhe a filha do faraó. E a jovem foi chamar a mãe do menino. A filha do faraó disse-lhe: «Leva este menino e amamenta-o, e dar-te-ei o teu salário.» A mulher levou o menino e amamentou-o. O menino cresceu, e ela devolveu-o à filha do faraó. Foi para ela como um filho, e deu-lhe o nome de Moisés, dizendo: «Porque o tirei das águas.»


2° passo - Meditação O que o texto diz para mim?

Observa-se no vers 8-14 opressão, trabalhos forçados, servidão pesada: são as várias experiências sofridas por diferentes grupos ao longo da história de Israel, no campo e na cidade, dentro ou fora de Israel; todas apresentadas pela redação final como oposição do Faraó à promessa e ao povo eleito.

Do vers. 15 ao 22, narrativa popular, que celebra as parteiras dos hebreus e eterniza o nome de duas delas, enquanto omite o nome do rei mais poderoso da época, “ o rei do Egito”. Dentro do contexto da perseguição dos meninos israelitas recém-nascidos ordenada pelo rei do Egito, uma mãe expõe seu filho no Nilo, dentro de um cesto de juncos, calafetado com betume. o cesto e a criança são encontrados pela própria filha do faraó. Esta adota o menino e ele tornou-se filho para ela e lhe dá um nome. Apesar de ter nome egípcio, Moisés não é de origem egípcia. A adoção do conto itinerante conhecido certamente quer mostrar que Moisés é, em todas as épocas, uma das pessoas mais importantes do povo de Israel, comparável a um monarca ou ao fundador de uma nação. E pelo fato de a obra de Moisés adulto ter sido tão importante, também a infância de Moisés tem grande importância. Além disso, Êx 2, sem dúvida, também mostra que Javé está com este Moisés desde o seu nascimento. Deus acompanha o seu escolhido, não o abandonando nunca em meio à perseguição e morte. É fato que a humanidade de todos os tempos e hoje ainda geme, num violento esforço de libertação política, cultural e econômica: os povos lutam para se libertarem do colonialismo, do imperialismo, das ditaduras; os pobres lutam para se libertarem da miséria, da ignorância, da doença, das estruturas injustas; os marginalizados lutam pelo direito à integração plena na sociedade; os operários lutam pela defesa dos seus direitos e do seu trabalho; as mulheres lutam pela defesa da sua dignidade; os estudantes lutam por um sistema de ensino que os prepare para desempenhar um papel válido na sociedade… Convêm termos consciência que, lá onde alguém está a lutar por um mundo mais justo e mais fraterno, aí está Deus – esse Deus que vive com paixão o sofrimento dos explorados e que não fica de braços cruzados diante das injustiças. Deus age na nossa vida e na nossa história através de homens e mulheres de boa vontade, que se deixam desafiar por Deus e que aceitam ser seus instrumentos na libertação do mundo. Esse Deus Maravilhoso que agiu no passado na vida de grandes homens, profetas, que se colocaram a serviço do Altíssimo e que também agiu na vida da Moisés quando bebê, e que o mesmo um dia libertaria o povo de Deus da escravidão. Diante dos sofrimentos dos irmãos e dos desafios de Deus, como respondo: com o comodismo de quem não está para se chatear com os problemas dos outros? Com o egoísmo de quem acha que não é nada consigo? Com a passividade de quem acha que já fez alguma coisa e que agora é a vez dos outros? Ou com uma atitude de profeta, que se deixa interpelar por Deus e aceita colaborar com Ele na construção de um mundo mais justo e mais fraterno?



3° passo - Contemplação 
O que a Palavra me leva a experimentar?

Assim como o Senhor agiu na vida do pequeno Moisés, providenciando o que lhe fosse necessário, usando de pessoas p que sua vida fosse preservada, para que pudesse sobreviver aos ataques do mal e ser instrumento do Senhor quando chegasse o tempo oportuno, creio que, na minha vida O Senhor opera com os mesmo cuidado. Deus se faz presente em todo tempo da minha vida. Eu experimento essa verdade cotidianamente. Deus tem seus propósitos, seus planos e eu sou um pobre e enferrujado instrumento dele. Eu apenas preciso me deixar interpelar por Ele, por Deus e aceitar os seus planos, colaborando para que eles se concretizem e um mundo melhor, justo e fraterno e que isso aconteça aqui e agora. 


4° passo - Oração
O que a Palavra me leva a falar com Deus?

Senhor usa-me! Que o seu Espírito me mostre e me ensine a ouvir a tua voz a me chamar, me ensine a cumprir a Tua vontade Senhor. Que eu me permita ser interpelada por voz Senhor, preciso da tua graça me movendo para tua vontade, é o meu desejo. Conceda-me esta graça. Amém!! 

5° passo - Ação 
O que a Palavra me leva a viver?

Quero ser já, instrumento do Senhor para um mundo melhor, justo e fraterno. Vou permitir que Deus me interpele, para que seus planos se realizem.